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Na coluna Clipestesia Rertrô, a gente esvcolheu uma matéria instigante com o que há de mais esquisito e fascinante da banda Dead or Alive. A matéria foi publicada na semana de 27 de junho de 2008. Deleite-se. Dead or Alive fez três versões para Spin me Round (Like a Record). Cada clipe foi lançado em uma década diferente José Maria Pugas Filho Peter Burns, um inglês de Liverpool com sotaque pesado e dois metros de altura, se veste em um quimono roxo de ombreiras gigantes até mesmo para a época e tapa olho de pirata para contar história alguma. O clipe é barato, sem grandes efeitos além de sua característica coreografia e a inconfundível bola de espelhos com fitinha dourada.
Chame de brega, eu chamo de anos 80. Impossível pensarmos esta década sem os cortes assimétricos, ombreiras e androginia – se bem que Prince era considerado andrógino para a época. A disco music criou o cenário de Stonewall e da liberação das minorias sexuais. Apesar do clipe dirigido por Vaughan Arnell e Andrea Benton não ter uma narrativa tradicional, ele por si só é o fruto de uma narrativa de época a qual muito devemos. O clipe ultrapassaria os anos 80, com epíteto de legendário. A música fez do single o primeiro colocado na parada britânica e 11º mais vendido no ano de 1985 nos EUA. Jessica Simpson o regravaria, assim como Thalia, Marylin Manson, Dope e Indochine. Gigi D’Agostino a tornaria um símbolo da música Trance em 2000. Em 1996, seria o próprio Peter Burns a relançar a música e o clipe. Minha voz continua a mesma. Mas meus cabelos... Quanta diferença! O clipe de 1996 chamou a atenção. Menos de que o original e por razão muito diversa. A conversa de quase todos os fãs do Dead or Alive, saudosos dos anos 80, ao verem o clipe poderia muito bem se resumir nas seguintes linhas:
2003 – O Reino da Chapinha Foi-se o ano de 1996. As vendas do single relançado em versão mix foram bem abaixo do esperado. O clipe não encontrava mais a qualidade estética necessária para exibição nos canais e Dead or Alive passaria mais alguns anos no silêncio, como se a nova aparência de Peter Burns tivesse causado uma amnésia pós-traumática em seus fãs. Em 2003, ele teria sua chance de retorno com o hit que marcou os anos 80. Chamado para participar do Big Brother inglês, Peter Burns tinha a visibilidade necessária para seu grande retorno. Ainda assim, bebidas, vulgaridades e antipatia o eliminariam do programa. Problemas? Não para Peter Burns, que viu em sua expulsão e nas câmeras que o acompanhavam o momento perfeito para sua ressurreição. Apostando na mesma fórmula de 1984 e a na roupagem do clipe de 1996, Dead or Alive re-relança o Spin Me Round. Segundo Peter Burns, o clipe de 1996 não encontrou receptividade na época por suas inovações. Quem sabe o século XXI seria o tempo certo?
Repaginado digitalmente e com toda a banda remodelada por plásticas, géis, maquiagem e segredos que só a RuPaul saberia desvendar, Spin me Round na versão 2003 resume também o seu tempo. Desde o início do século XXI, os anos 80 voltaram à moda. Vários artistas aproveitaram da fama antiga, das músicas que fizeram o sucesso há duas décadas e da histeria de suas fãs para mostrarem que suas músicas ainda poderiam povoar os sets de baladas ao redor do mundo. Polêmico? Obviamente que sim, afinal, é Peter Burns. Mas nada além disso. Passamos mais tempo surpresos com as mudanças estéticas radicais de Peter Burns e sua trupe do que com o clipe – bem montado, dirigido com responsabilidade, mas nada excepcional – e com a música – já conhecida e sem grandes modificações que tornasse esta versão especial. De qualquer maneira, ver Peter Burns seminu girando na cama redonda não é uma cena para cardíacos.
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