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Não é de hoje que artistas apostam em regravações. Sejam grandes sucessos do passado ou canções obscuras que só vêm à tona anos mais tarde. No Pitaco Clipestesia de hoje, nossa leituora vai fundo nesse assunto Convidada da semana: Susy Freitas (http://fdots.blogspot.com) Como deu para notar, há covers para todos os gostos. Cópias “cuspidas e escarradas”, repaginações mais que bem-vindas, versões inusitadas e aquelas que descambam para o fracasso total. A canção London, London de Caetano Veloso já era bem conhecida por aqui quando a cantora brasileira Cibelle se uniu ao músico norte-americano Devendra Banhart para regravá-la. A versão aparece no segundo álbum dela, “The Shine Of Dried Electric Leaves”, de 2006. Devendra é fã declarado de Caetano e não esconde seu orgulho de ter uma voz bem parecida com a do brasileiro. E a interpretação de Cibelle dá à música um toque feminino e delicado. Aliás, tal delicadeza é transferida para o adorável videoclipe da música, em que os dois usam trajes de época enquanto passeiam pelas ruas de (advinha?) Londres.
Essa provavelmente só os fãs de Titãs sabem. O grande sucesso Marvin é na verdade uma versão de Patches, do soul man Clarence Carter. Antes de ele lançar a canção num single, a banda Chairman On The Board já havia gravado a música de Ron Dunbar nos anos 1970. Nas terras brazucas o que vingou mesmo foi a versão dos Titãs em 1988. A letra em português é até um pouco parecida com a original, embora não tenha nenhum cara chamado Marvin...
I Will Survive já ganhou incontáveis regravações de artistas dos mais variados gêneros musicais. No entanto, a versão do Cake chama a atenção por ter imprimido sua marca numa canção já tão consagrada. Apesar de Gloria Gaynor não ter gostado do cover (o uso de palavrões não agradou muito à cantora), o indie e a levada funk/jazz da banda californiana caíram como uma luva. Destaque ainda para a voz grave e melancólica do vocalista John McCrea. O clipe é um charme à parte, com John interpretando um guarda de trânsito um pouco, digamos, transtornado com a vida.
Algumas músicas parecem ser mais do artista que as regravam que daquele que as compõem. É o caso de Hurt, que Johnny Cash interpreta no álbum “American IV: The Man Comes Around”, de 2002. Lançada originalmente pelo Nine Inch Nails no álbum “The Downward Spiral” (1994). A letra sombria e introspectiva fala sobre solidão, erros do passado e morte, ou seja, tudo que permeou a vida do próprio Johnny. O clipe, dirigido com maestria por Mark Romanek, capta a atmosfera de tristeza. Parece mesmo uma despedida do cantor, que morreria em setembro de 2003, pouco tempo após a morte de sua amada esposa, a também cantora June Carter.
Quando você vê a cara de mal de Jonathan Davis, o vocalista do Korn, nem imagina que ele adora bandas como Radiohead e The Cure. Graças ao “Acústico MTV” em 2007, descobrimos isso e ainda fomos brindados com uma versão de Make Me Bad (Korn) entrecortada por In Between Days (The Cure). Estranho como a mistura se encaixou bem e as vozes super distintas de Jonathan e Robert Smith se complementaram de maneira tão natural. Uma versão inusitada que vale a pena conferir.
Essa é difícil decidir qual a melhor versão. The Beatles lançou With A Little Help From My Friends no álbum psicodélico “Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band”, de 1967. A canção foi feita especialmente para ser interpretada por Ringo, o baterista de voz grave que ganhava esse mimo em quase todos os discos do quarteto de Liverpool. No ano seguinte, Joe Cocker lançou o cover, que se tornou seu maior sucesso. Os arranjos são diferentes, há pequenas modificações na letra e a música ficou muito mais rock’n’roll, o que poderia irritar os fãs xiitas de The Beatles. Ledo engano: a versão de Joe ficou tão boa que até hoje é lembrada como um dos melhores covers de todos os tempos.
Há ainda aquelas versões que merecem uma menção honrosa. Seu Jorge interpretando Life On Mars, de David Bowie, para a trilha do filme “A Vida Marinha com Steve Zissou”.
Whitney Houston cantando I Will Always Love You, originalmente da cantora country Dolly Parton.
Existem também as mensões nada honrosas. Alanis Morissette e sua versão intimista de My Humps, do Black Eyed Peas.
Falcão e a versão mais bizarra do universo para Another Brick In The Wall, do Pink Floyd.
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