Quando o videoclipe usa a linguagem dos quadrinhos para basear seus videoclipes, o resultado pode ser sensacional

Marcelo Mendonça (marcelo@clipestesia.com.br)

Quem nunca ganhou um gibi quando era criança e ainda estava aprendendo a ler? Quem nunca se pegou lendo uma revista de história em quadrinhos e, em meio à gargalhadas, perceber que já passou dos vinte anos? Os quadrinhos já são parte da nossa cultura e, pudera. Essa arte é presente no mundo há séculos e serve de inspiração para a moda, o cinema, a televisão e, claro, os videoclipes.

Ninguém sabe ao certo quais foram os primeiros indícios do que seria uma história em quadrinhos. Alguns pesquisadores afirmam que as pinturas rupestres (aquelas das paredes das cavernas) foram os primeiros indícios de uma história que se contava através de desenhos fragmentados. A primeira publicação real de um quadrinho aconteceu em 1895, um pouco antes do grande BOOM da imprensa escrita. A série era Yellow Kid (Menino Amarelo), que saía esporadicamente nos jornais. Diferentemente dos balões de fala, como conhecemos hoje, os personagens tinham seus textos escritos nas próprias roupas. Desde então, a produção de quadrinhos não parou mais. E se expandiu.

Você sabia que a primeira vez que uma mulher usou mini-saia foi numa revista de quadrinhos? Sim. Foi no Flash Gordon. Quando rompeu o padrão hegemônico, o quadrinho foi duramente criticado, mas pouco mais tarde veio a coroação, no momento em que a mulher passou a usar a mini-saia como peça fundamental de um guarda-roupa. Ah! É fácil ver também a clara linguagem de quadrinhos em filmes e programas de TV como “Sin City” e “Armação Ilimitada”.

Lembra de tudo que foi citado, mas não lembra de nenhum videoclipe? Então calma. A gente lembra pra você.

O efeito Marvel

Uma das principais referências em quadrinhos mundiais, está a Marvel. Fundada em 1939, ela recentemente foi comprada pela Disney. Isso mesmo. Agora, os mais novos amigos do Mickey Mouse podem ser o Homem-Aranha, o Incrível Huck, os X-Men e tantos outros que foram consolidados através da editora.

Quem se aproveitou do mesmo formato dos quadrinhos e até do fato de ser um super-herói foi o Eminem. O rapper, em um de seus primeiros grandes sucessos, aparecia como um super-herói atrapalhado e politicamente incorreto. E o clipe não faz uso só do estilo dos personagens padrão; usam também balões de fala e pensamento, expressões onomatopéicas, quadros de localização, tudo exatamente como manda o costume da Marvel e algumas outras editoras do gênero.

Ok, o próximo clipe não mostra exatamente os quadrinhos, mas faz uma menção honrosa a um de seus grandes astros: o Homem-Aranha. Os Ramones gravaram uma versão Rock’n’Roll de Spiderman, música-tema do desenho, e fizeram clipe pra ela. A canção foi lançada em 1996, como faixa-bônus do álbum Ádios Amigos.

Linkin Park sempre gostou de investir em clipes grandiosos e de aparecer nos mesmos. Faziam questão de serem os popstars, até realizarem um de seus melhores clipes: Breaking The Habit. O clipe dirigido por Joe Hanh mostra uma animação muito bem feita, no estilo anime. Para quem não sabe, o anime é uma variação animada do mangá, os quadrinhos japoneses. No vídeo, eles ainda usam algumas palavras escritas em japonês. Um excelente videoclipe.

Made In Japan

Outros artistas se basearam na estética do mangá, ou melhor, dos animes, e lançaram os mais variados clipes. Por exemplo, quem diria que One More Time, aquela clássica do Daft Punk, indispensável das pistas de uns anos atrás, teria um clipe baseado no manga? Ao contrário da maioria dessas narrativas, o clipe não tem sangue, luta, morte ou vingança. É uma festa, todo mundo dança, mas o desenho é nitidamente baseado na estética japonesa.

Outra que se inspirou em animes para compor um clipe foi Britney Spears. A loirinha, sob direção de Robert Hales, apareceu apenas em desenho no clipe. Essa, ao contrário do Daft Punk, foi além da estética e seguiu a mesma linha das narrativas comuns ao gênero: monstros, lutas, super-poderes...


Break the Ice - Britney Spears

Os mais tradicionais

Os Ramones parecem ser bem influenciados pelos quadrinhos. Não bastasse a trilha para Spiderman, a banda fez um clipe todo dividido por quadrinhos. É sensacional. O clipe faz parte do mesmo álbum que o do Homem-Aranha e a única coisa que não é animação no vídeo, é a banda.

E o Ziraldo? O Maurício de Souza? E o Zé Carioca?

Calma, patriota. Aqui no Brasil, a produção de videoclipes é muito menos, mas a influência das HQs também é grande. Uma das revistas mais vendidas no Brasil é a da Turma da Mônica, sem períodos instáveis. É aproximação com a cultura urbana local numa linguagem fácil. Já se você quiser um viés mais folclórico da cultura nacional, uma boa pedida é Ziraldo e a sua Turma do Pererê... Mas se quiser videoclipe, pode vir com a gente.

Xuxa lançou um clipe baseado em quadrinhos para o seu DVD “Xuxa Só Para Baixinhos 6 – Festa”. As imagens são bem infantis e a música é regravação de um sucesso próprio, clássico: “A Vida É Uma Festa”. No vídeo, a Rainha dos Baixinhos dança ao lado de duas crianças e está num chroma-key, como se estivesse dentro de uma revistinha.

Por último, mas não menos importante, o clássico, mais clássico dos quadrinhos. A-Ha com aquele que dispensa qualquer apresentação: Take On Me.


A Ha - Take on me


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