|
|||
|
Não é que o clipe ou a música seja a mesma coisa de sempre, mas no clássico Testify, a banda mostra que apesar de bipartidária, a eleição americana é sempre feita das mesmas propostas. Você concorda? Patrícia Angélica (paty@clipestesia.com.br) Quem conhece um pouquinho da história da banda de Tom Morello sabe que o Rage Against The Machine é muito engajado politicamente. Todas as suas músicas e clipes têm algum tipo de mensagem política implícita ou mesmo explícita. O clássico Testify, de 2000, segue a proposta da banda. O clipe é totalmente contextualizado na campanha pela presidência dos EUA daquele ano, entre George W. Bush e Al Gore.
O vídeo tem vários truques de edição que, entre outras coisas, transformam os dois candidatos em apenas um e colam falas dos dois, uma após a outra, para que espectador perceba as semelhanças entre os discursos de ambos. A letra da música critica intensamente o “American way of life” e o clipe é totalmente ilustrativo às críticas (como no trecho em que se fala de bombas de gasolina: Mass graves for the pump and the price is se” – “Covas em massa pelas bombas de gasolina e o preço já está acertado”. E aparecem as tais bombas de gasolinas com preços que sobem constantemente). Na letra, há referências ao livro apocalíptico de George Orwell, 1984, com os versos como Who controls the past (now), controls the future. Who controls the present (now), controls the past – “Quem controla o passado (agora), controla o futuro. Quem controla o presente (agora), controla o passado.” Tudo isso no clipe fica bem explicado por ele ter sido dirigido por Michael Moore, documentarista americano que tem como tônica em seus trabalhos uma forte crítica às formas estadunidenses de fazer política (sobretudo do presidente eleito no pleito criticado nesse clipe). Outro ponto interessante de Testify é a capa do single.
Os dois homens na foto são atletas das Olimpíadas de 1968, que ficou marcada por protestos dos atletas negros dos EUA que, ao subirem ao pódio, faziam esse gesto de cerrar o punho e levantá-lo para o alto. Tal gesto ficou mundialmente conhecido como Protesto dos Panteras Negras e até hoje é uma das maiores referências à luta dos negros pelas liberdades civis naquela época. Mais uma vez, RATM faz uma crítica à sociedade dos Estados Unidos e seu profundo preconceito racial. Mais engajado que esses caras só mesmo o melhor amigo do mundo inteiro, Bono Vox, né?! |