quando descolorir deixa tudo muito mais interessante
Calma! Seu monitor não está com defeito! Todos esses clipes são em preto e branco mesmo...
Hoje em dia toda tecnologia tem sua versão colorida, mas a estética preto-e-branco nunca sai de moda. E é claro que, nos videoclipes, ela está mais do que presente. Mas qual as suas funções? Por que tantos artistas optam por clipes assim? Entenda tudo e mais um pouco sobre essa forma de arte que o videoclipe sabe usar com perfeição. No final, você vai querer varrer o technicolor do mapa...

Marcelo Mendonça (marcelo@clipestesia.com.br)
e Carol Pessanha (carol@clipestesia.com.br)
Colaboração de Larissa Castanheira

Senta que lá vem história!

A imagem em preto e branco sempre surtiu os efeitos mais diversos. Na fotografia, por exemplo, a estética em “PB” é usada desde o início do século XIX. Em 1830, o preto-e-branco era a única opção para os amantes de fotografia, com o daguerreótipo.

O tempo passa e as estéticas utilizadas até então começam a se tornar antiquadas a partir do surgimento de novos tipos de filmes fotográficos, tirando a hegemonia do monocromático. Mas nem por isso o preto e branco acabou. A estética acabou por se tornar mais uma opção, não só para a fotografia, mas também para o cinema, televisão e, é claro, para os videoclipes.

Apesar de os videoclipes serem veiculados na televisão até o fim dos anos de 1990, eles trazem uma linguagem completamente diferente. Na televisão, o preto e branco raramente é usado como uma forma estética; geralmente seu uso mostra um flashback ou algum devaneio. No videoclipe isso até pode ocorrer, mas não é uma regra.

Tirando a cor pra ser cult

Alguns videoclipes usam a estética do preto e branco simplesmente por... usarem preto e branco. A escolha é totalmente estética. É o caso de I See You, You See Me da banda The Magic Numbers. O clipe conta uma história de romance que se passa no inverno. Se não fosse o monocromático, entretanto, provavelmente não teria o mesmo efeito. O mesmo ocorre em Feel, do inglês Robbie Williams, The Voice Within, de Christina Aguilera, Daughters, de John Mayer, Imortal, de Sandy e Junior, I Stay In Love, de Mariah Carey e o novo clipe da Beyoncé, If I Were A Boy.

Tirando a cor pra realçar a dança

Mas Beyoncé não lançou apenas um clipe em preto e branco, mas dois. E de uma vez só! Seu outro lançamento, Single Ladies, traz um cenário branco, figurino preto e a imagem em p&b. No clipe, nada de mais. Nenhuma edição fantástica, nenhum cenário, nenhuma troca de figurino. É apenas Beyoncé dançando com outras duas mulheres. Mas, acredite, o resultado ficou muito bom.

Não só a Beyoncé dançou no monocromático. Vários outros artistas utilizam o artefato preto e branco para realçarem suas coreografias sempre bem boladas. Justin Timberlake mostra seus passos difíceis em meio a preto, branco e muitas luzes, em My Love. O mesmo ocorre com o Rei do Pop e sua irmã em Scream. Jannet e Michael Jackson se divertem e dançam em preto e branco num ambiente futurista. Essa, aliás, é uma das poucas vezes em que o preto e branco caracteriza o futuro. Na maioria das vezes, ele remete ao passado.

 

(na próxima matéria, cenas do próximo capítulo...)




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