estrelando: Alicia Silverstone!
A parceria entre Alicia Silverstone e Aerosmith veio em boa hora para ambos. Ela, uma atriz em início de carreira, apareceu para o mundo nesses clipes, enquanto eles, já quarentões com a imagem não muito apresentável depois dos problemas com drogas, se reergueram. O elo que tornou isso possível: o então novo álbum do Aerosmith, Get a Grip.
Tudo começou em Cryin’, uma jovem desiludida com o amor que pega o carro e sai por aí, tentando se divertir e esquecer dele. Em vão, tadinha, pois todos os caras que conhece no caminho são uns idiotas, o que faz com que não consiga esquecê-lo.
O refrão é bem tocante: “I was cryin’ just to get you, now I’m dyin’ cause I let you”. Um dramalhão! Lógico, pois aos 16 anos, idade de Alicia no clipe, tudo é muito dramático. Mas o final é muito bom, tem que se importar muito com alguém pra armar toda aquela situação apenas pra mandar um *#&%-se pro ex.
Quase que instantaneamente, Alicia se tornou uma musa, tanto para os adolescentes da época, quanto para os “tios” que eram fãs do Aerosmith de tempos atrás.
E então surge a brilhante idéia de dar continuidade à história.
CLÁSSICO TEM QUE TER CONTINUAÇÃO!
Literalmente, porque em Amazing aparecem cenas do clipe anterior, baseado em realidade virtual. Neste, um “nerd” escaneia seu tipo ideal de mulher, se auto-escaneia como o tipo ideal de cara para esta mulher – lógico que tinha que ser um cara de jaqueta de couro, motoqueiro e com óculos escuros, no maior charme, no meio do nada americano.
E, sendo assim, é lógico também que o clipe explora uma das fantasias primordiais de todo apaixonado... por motos: transar na moto enquanto pilota numa estrada reta, vazia, a toda velocidade. Depois dessa cena, a fantasia passou a ser de todos os jovens, apaixonados ou não por motos. E ainda rola um skyboarding... vivendo intensamente.
E chegamos ao final da nossa historinha, com o último clipe estrelado pela musa, que agora tem uma parceira de aventuras, a filhinha do papai vocalista da banda, Steve Tyler. A bela morena Liv Tyler.
O conversível preto deve ter combinado com os olhos de Alicia, porque aparece de novo neste clipe. E agora, além de ela continuar com essa vida louca de fugas alucinadas, ainda chama a amiga para ir junto, como diz na música: “yeah, you drive me/ crazy, crazy, crazy for you baby”.
E como! Pois abusando da sensualidade elas conseguem desde brindes de loja de conveniência até vencer um concurso de strip dance, onde não rola nenhum strip, afinal, depois de tantas drogas, papai Tyler tomou juízo. E mais do que nunca esse clipe é libertador, talvez encorajador. Afinal quem nunca pensou em chutar o balde e sumir, curtir a vida? Ainda mais se tiver na companhia da sua melhor amiga, ou seu melhor amigo.
A diferença dessa trilogia para os road movies tradicionais é que não existe um destino a ser alcançado, e este último se assemelha muito ao filme Thelma & Louise, com Geena Davis e Susan Sarandon... e um conversível preto, sem nenhum destino certo. Coincidência? Talvez, mas o filme é de 1991 e Crazy, de 1994.
O Aerosmith não está decadente, mas também não teve mais nenhum sucesso estrondoso nesses 15 anos. Alicia Silverstone, “the Aerosmith chick” como ficou conhecida, continua linda e poderosa, dirigindo uma Mercedes Benz (se Janis Joplin fosse viva, ia morrer de inveja) e bem casada. É meninos, perderam pro rock “star” Christopher Jarecki, vocalista do S.T.U.N. (?).