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Maroon 5, videoclipes e o dicionário Convidada da semana: Érika Neves (erika_procult_uff@yahoo.com.br) Nos dias 07, 08 e 09 de novembro de 2008, o Sudeste brasileiro foi contagiado pelo som do Maroon 5, banda norte-americana que mistura pop, rock, R&B e soul e estourou no país com os hits This Love e Sunday Morning. Em 2004, chegaram a fazer 2 pocket shows por aqui (RJ e SP), mas quase ninguém soube e/ou esteve presente. Pode-se dizer, então, que esta foi a verdadeira estréia dela em palcos brasileiros. Seu primeiro álbum, o premiado Songs About Jane (2002), traz canções sobre uma ex-namorada (dizem que só Harder To Breathe não seria sobre ela) e o segundo, It Won’t Be Soon Before Long (2007), pode até não ser “about Jane”, mas também trata de relacionamentos (além desses dois álbuns de estúdio, gravaram outros 3 ao vivo). O show no Rio de Janeiro, que durou cerca de 1 hora e 20 minutos, apresentou seus maiores sucessos e teve mais canções do primeiro CD (9) do que do segundo (apenas 4). Além destas, cantaram trechos de In The Air Tonight (Phil Collins) e Wicked Game (Chris Isaak), que os fãs entoaram em coro com a banda – bem como a maioria das músicas. Houve um momento em que, ao ouvir os primeiros acordes de Sunday Morning, a galera começou a cantar, surpreendendo o vocalista/guitarrista, Adam Levine, que continuou a música sorridente e bem empolgado. Tentativas de falar português, elogios ao bumbum dos brasileiros, som envolvente e o inconfundível vocal conectaram público e Maroon 5. Muita gente saiu suspirando, principalmente por Adam, e com a sensação de que o show durou menos do que se esperava. Boa parte da relação do público com os artistas se estabelece através dos videoclipes – com o Maroon 5 não seria diferente (inclusive, os suspiros mencionados acima certamente são reforçados pelos vídeos da banda). Mas, antes de tratarmos destes, falemos rapidamente do nome Maroon 5, sobre o qual os próprios integrantes mantêm “sigilo” (“de acordo com o site deles, somente Billy Joel sabe o real significado do nome da banda”, conforme noticiou um site de fãs do Brasil). Se assim é, que a imaginação nos leve! (hehe) Em um antigo dicionário Inglês-Português/Português -Inglês, encontrei a seguinte definição: Maroon. v.t. abandonar numa ilha deserta (por punição); v.i. vaguear; s. castanha; adj. Castanho; marrom. Se, em princípio, relacionamos o significado do nome da banda à cor, assistindo a alguns de seus clipes, acabei me lembrando das primeiras definições do dicionário... (Mas... hã?! E o que isso tem a ver com o nome Maroon 5, de que falou acima?) Percebam: suas músicas e seus videoclipes, de certa forma, perpassam a sensualidade/sexualidade, desejos, lamentos, e a sensação de que a “mulher amada” está inalcançável, de que se está abandonado ou abandonando. E é justamente aí que está o link com a idéia do nome da banda. Humm... Vejamos outros videoclipes do Maroon 5 e alguns trechos “emblemáticos” de suas canções. Foram feitos quatro vídeos de Songs About Jane e cinco de It Won’t Be Soon Before Long. Do primeiro CD, temos This Love utilizando-se de uma fotografia em tons avermelhados/alaranjados e de cenas muito sensuais para falar de um amor arrebatador que insiste em ir embora. “Whispered goodbye as she got on a plane / Never to return again / (…) She said goodbye too many times before”. Em Sunday Morning, as imagens não mostram um relacionamento, mas a letra da música e o pessoal que canta no karaokê, parecem um coral que reforça o pedido de estar novamente junto da pessoa amada. “And I would gladly hit the road / Get up and go if I knew / That someday it would lead me back to you / (…) That may be all I need / In darkness she is all I see / (…) Find a way to bring myself back home to you”. Também há uma interessante referência ao sucesso da banda, quando insinua uma gravação em estúdio (pelos botões, microfones, instrumentos) e, três meses depois, as pessoas com This Love e Sunday Morning na ponta da língua. She Will Be Loved traz o polêmico envolvimento do personagem de Adam Levine com a sogra, “the girl with the broken smile”, que é maltratada pelo marido. As cenas misturam, de forma intensa, flashbacks e um Adam dividido entre a relação com a namorada e o desejo pela sogra. Do mais recente álbum, aquele clipe que diz “Now you've gone somewhere else / Far away / I don't know if I will find you / (…) And if I never see your face again / I don't mind / 'Cause we got much further than I thought we'd get tonight”, em parceria com Rihanna, já foi analisado aqui no CLIPESTESIA. Já a letra de Makes Me Wonder fala sobre tentar reatar, mas também de estar confuso, pela falta de confiança, por não mais acreditar na pessoa. O vídeo tem como único cenário um aeroporto (a possível metáfora para o “so, this is goodbye”, do refrão), e o que desta vez traz o “toque de sensualidade” é o assédio de supostas funcionárias. Detalhe para o fato de que as únicas pessoas no aeroporto e no avião, além dos integrantes da banda, são do sexo feminino. Em Wake Up Call, a pessoa foi traída, mas tem uma reação irônica e, ao mesmo tempo, bem agressiva. Imagino que, para a letra não parecer pesada demais (“so I had to shoot him dead”), fizeram o clipe como se fosse o trailer de um típico filme de ação, com explosão, crime, paixão etc. Os demais integrantes da banda, que geralmente aparecem nos clipes como coadjuvantes, são nominalmente apresentados, ainda que como parte desse elenco fictício. E, por fim, Won't Go Home Without You, em sua letra, é o ápice da dor do abandono. “Every night you cry yourself to sleep / Thinking why does this happen to me? / Why does every moment have to be so hard? / Hard to believe / (…) Of all the things I felt I've never really showed / Perhaps the worst is that I ever let you go / Should not ever let you go”. A câmera acompanha um personagem que vagueia (e lá voltamos ao significado do nome...) por seus pensamentos (lembranças em preto e branco) e pelas ruas, em busca de uma segunda chance. |