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Eu já nasci uma versão Marcelo Mendonça (marcelo@clipestesia.com.br) Angélica, desde que foi lançada nos anos 80, foi produzida para ser uma “cópia” da Xuxa. Quando a Rainha dos Baixinhos popularizou o estilo da tia loira das crianças, faturando uma bela grana em produtos licenciados, outras emissoras investiram no negócio. Buscando referências em vários lugares, Angélica gravou seu primeiro sucesso musical Vou de Táxi, lembrado até hoje. Pouca gente sabe, mas essa música é uma regravação de Joe le Taxi, da francesa Vanessa Paradis. Na versão original, Vanessa conta a história de Joe, um taxista americano que conhece todas as ruas de Paris e curte um saxofone. Na versão brasileira, Angélica conta que seu namoradinho vem buscá-la de táxi, para matarem aula juntinhos, juntinhos. Um exemplo para a criançada brasileira! No fim dos anos 90, um novo trio adolescente conquistava milhares de fãs no Brasil: KLB! Os irmãos, que já nasceram como uma versão dos Hanson, faziam as famosas músicas chiclete, do tipo que grudam no ouvido. No ano de 2005, buscando um trabalho mais autoral, mais adulto, o trio paulista gravou versões! Sim! No auge da fase autoral. A mais famosa delas, Um Anjo, é versão de Angels do polêmico Robbie Williams. Vale ressaltar que apesar das letras serem parecidas, os clipes são completamente diferentes. Quando Kelly Key apareceu todos ficaram pensando no que ela seria ou queria ser? Uma cantora pop nacional? Uma versão de Britney Spears? Ela seria mesmo uma versão? Talvez, uma versão às avessas. A versão mais famosa que Kelly Key gravou foi Barbie Girl, da banda aQua. Apesar de até o nome da música permanecer o mesmo, o contexto mudou absolutamente! Enquanto na versão original eles parodiavam a vida plastificada e superficial de uma “Barbie Girl”, Kelly Key exaltava essa qualidade da boneca, era quase como se falasse para todas as menininhas brasileiras: fiquem sempre lindas, loiras e muito maquiadas! Alguns artistas chegam a fazer “traduções simultâneas” em algumas músicas. Digo tradução simultânea porque o que é cantado em português é cantado posteriormente em inglês O caso mais recente foi Vanessa da Mata e Ben Harper na música Boa sorte/Good Luck. O clipe é quase um making of da gravação da música. Meio cansativo de assistir, a tela fica dividida em diversas partes, pra assistir no YouTube é bem difícil! Outras “traduções simultâneas” passeiam pelo mercado musical. Ivete Sangalo e Brian McKnight na música Back At One, Zezé Di Camargo e Luciano com Julio Iglesias na música Amigos, e por ai vai... Com o passar dos anos – faz mais de meio século – o número de versões tem crescido no Brasil. Artistas que valorizam os trabalhos autorais acabam em um álbum ou outro se rendendo aos prazeres das versões, e se ela são algo bom ou não, não sabemos! Se é um modo de se aproveitar da fama alheia...quem sabe? Mas que ela ajuda a colocar o artista na boca do povo, isso é indiscutível! |