
Pitaco Clipestesia!
Gostosuras, travessuras e muito medo!
Clipes sem cortes! Impossível?
Três videoclipes e um assassinato...
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A bizarrice criativa do Nine Inch Nails Quer dar o seu pitaco sobre clipes? Clipestesia abre espaço pra você! A partir desta edição, vamos escolher regularmente textos de letores para preencher nossas páginas. Para começar, a leitora Brunna Antunes faz uma viagem pelo mundo sombrio e encantador (!) dos meninos do Nine Inch Nails. Você pode nunca ter ouvido falar no grupo, mas dificilmente vai esquecer seus clipes... Ah, e se você também quiser dar o seu recado, entra em contato com a gente: clipestesia@clipestesia.com.br. Brunna Antunes (brunnant@yahoo.com.br) A banda americana Nine Inch Nails é conhecida como uma das maiores referências quando se fala de rock industrial (que a grosso modo, é uma mistura de rock pesado com música eletrônica). Eles mostram como sintetizadores e guitarras são uma mistura perfeita. Além de possuir um estilo musical totalmente experimental e inusitado, seu vocalista, Trent Reznor, sempre foi muito ousado e polêmico, inaugurando um tipo de performance que se tornou a marca da banda. Em todos os shows, os efeitos visuais no palco (a partir de telões atrás da banda) causam um grande frenesi no público, juntamente com o clima de adrenalina que as músicas já possuem naturalmente, levando o espetáculo ao auge. Agora, estando a par de todo esse apelo visual e estético do NIN, vêm a pergunta: e os videoclipes deles, como são? Em uma palavra: surreais. Dificilmente você irá encontrar clipes da banda que não possuam algum aspecto de excêntrico e abstracionista, o que é perfeitamente condizente com o som que eles fazem (excetuando alguns clipes como The Hand That Feeds, onde temos apenas cenas da banda em performance normal). Mark Romanek, o grande mentor das loucuras videoclípticas do NIN, dirigiu uns dos maiores sucessos e preciosidades da banda (e também mais bizarros). Dentre eles temos Closer, clipe censurado pela MTV americana por mostrar cenas polêmicas, como um macaco sendo crucificado. Cenas como essa foram substituídas por cartelas onde se encontram escrito “scene missing”, possibilitando assim uma adaptação do clipe para uma versão comercializável. Apesar disso, frases da música como “I want to fuck you like an animal” dariam muita dor de cabeça para os chefões da emissora, o que limitou um pouco a sua exibição. É um clipe de uma subjetividade incrível, com uma atmosfera onírica de onde procriam as mais obscuras imagens do subconsciente.
Outro clipe dirigido por Romanek e que tanto fãs quanto os indiferentes a banda costumam apreciar é o da música The Perfect Drug. É um clipe totalmente surreal, onde cenas de alucinações causadas por absinto e imagens que lembram pinturas são ritmados de forma sensacional pela música. Uma possível associação a Edgar Allan Poe e seu poema O Corvo também encontram brechas nesse clipe. Totalmente sombrio e genial. Incrivelmente rico em imagens e com uma fotografia impecável, os clipes do Nine Inch Nails pregam uma profunda e indissociável relação entre o ritmo da música e nos cortes. Há também quem diga sobre a sensualidade dos clipes, muito enfatizados pelos gestos e caras-e-bocas de Trent (melhor exemplo disso é o já mencionado Closer). Pamela Anderson ou Marilyn Manson? O clipe Starfuckers Inc. é outro que não foge à regra. A música fala basicamente sobre estrelas de sucesso e sua decadência como “reles mortais” que são. De início, temos alguns flashs de uma Limosine, totalmente ritmados conforme a música (assim como o clipe todo). Logo que Trent começa a cantar, temos uma seqüência de cenas dele dentro dessa limosine com “uma loira” estilo Jessica Rabbit versão dark, que o filma com uma câmera digital (o interessante é que as cenas filmadas pela “loira” nessa câmera foram utilizadas de forma primorosa na edição). Interessante conferir também a carga de sensualidade do clipe, aliada a um aspecto de bizarro, especialmente nessas cenas da limosine. Buscando entender o clipe dentro de uma perspectiva de narração, e associando tudo ao conteúdo da música, temos então a presença de um homem famoso, uma grande estrela (Trent), perseguido por paparazzi, e que aparenta estar em péssimas condições de saúde (com tubos no nariz). O tempo todo essa coisa de estrelas de sucesso que acabam esquecidas e ferradas (daí “starfuckers”) aparece no clipe. Quando Trent canta o refrão “starfuckers”, no mesmo momento aparecem no clipe referências a modelos como Pamela Anderson: duas mulheres totalmente acabadas seguram fotos de quando eram jovens, uma situação grotesca. Uma espécie de “olhem só, veja como até elas ficaram monstruosas”. Quando a Limosine chega ao seu destino, um lugar deserto que parece um parque de diversões abandonado, um show de aberrações ocorre. Trent vai até um quiosque de jogos, onde estão enfileiradas várias miniaturas de cabeças de famosos, dentre eles Michael Stipe, Billy Corgan, Fred Durst e até mesmo do próprio vocalista, nos quais ele vai jogando uma bola e destruindo um a um. Polêmico, não? E qual não é a surpresa do espectador quando, no fim do clipe, a indecifrável “loira” se descaracteriza, revelando que ela é, na verdade, Marilyn Manson. Uau! Um show de luzes piscando em ritmo frenético nos revela aos poucos essa surpresa inesquecível. Há quem diga inclusive que a música foi escrita para Marilyn Manson, pelo fato das relações entre ele e Trent Reznor estarem estremecidas. Outros dizem que canção e clipe remetem à Courtney Love, a famosa viúva de Kurt Cobain, pois existem boatos de envolvimento do Trent com a cantora. Colocar uma peruca loira em Marilyn Manson parece ter criado mais brecha pra essas interpretações que continuam a pairar sem respostas. Vejam só essa parte da música: “My god sits in the back of the limousine Daí surgiram as tais especulações. Para apreciadores de videoclipes de arte, é fundamental dar uma conferida nesses clipes geniais da banda, e mergulhar fundo nessa atmosfera de dar arrepios, mas ao mesmo tempo estonteante. Eles possuem uma beleza única, capaz de trazer um surrealismo em forma de linguagem videoclíptica.
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