
Mais que um peitinho
de fora
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Clipes em que a nudez é feita para chocar Ariane Holzbach Agora que a gente já concorda que as roupas são uma atividade cultural, convém afirmar que a nudez, da mesma forma, serve a algo social, né não? Lembra-se dos sutiãs sendo queimados em prol do feminismo? E dos vários casos de ativistas de causas ambientais que ficam peladões a fim de protestar contra, por exemplo, o uso de peles de animais na confecção de casacos? Dessa forma, a nudez no videoclipe também tenta, em alguns casos, servir a uma causa nobre. Ou pelo menos que pareça nobre ao cantor e a seus fãs. Em geral, o choque e a quebra de regras estabelecidas fazem muitos cantores tirarem a roupa. O cantor pop George Michael (aliás, um artista que usa a nudez no videoclipe como poucos) lançou o videoclipe Outside, em 1998, para revelar ao mundo que é homossexual. Entre cenas instigantes de dança em clubes noturnos, há varias cenas de homens e mulheres fazendo sexo no meio da rua, em banheiros públicos, escritórios e até em caçamba de caminhão. Ele próprio (que pena, hehe) não aparece com as partes de fora... Aliás, quase nada aparece nesse clipe. Mas você acha que se ele fosse mais explícito iria passar em canais de televisão aberta mundo afora? Afinal, ele provavelmente conhecia a história de alguns sucessores. Em 1982, o Queen lançou o videoclipe de Body Language. Uma obra-prima que mostra diversas facetas do toque corporal: massagens, o calor das saunas, tatuagens... O resultado? Foi completamente banido da MTV, que na época era o único canal musical de projeção.
O mesmo aconteceu com Girls on Film, de Duran Duran, lançado em 1981 e dirigido pela dupla Godley & Creme. Trata-se provavelmente do primeiro nu completo do videoclipe. O vídeo brinca com diversos fetiches sexuais e, de acordo com os realizadores, foi pensado para ser veiculado em casas noturnas e canais para adultos. Hum... Será mesmo? Então por que o videoclipe foi entregue para a MTV e para a BBC? Para causar polêmica, claro! Enquanto o primeiro editou o clipe quase até a exaustão, a BBC optou por bani-lo do canal. E assim a banda, em início de carreira, permaneceu na mídia por muito e muito tempo... A mesma controvérsia rodeou o estonteante Smack My Bitch Up, do The Prodigy, que em 1997 foi banido e editado em televisões ao redor do mundo. Como conseqüência, é um dos vídeos mais amados do gênero. Dirigido pelo sueco Jonas Åkerlund, o clipe narra, em primeira pessoa (!), uma noitada regada a bebidas, drogas e violência. A nudez frontal só aparece no final... E é provavelmente a parte mais leve do clipe.
Ainda no quesito nudez para chocar, temos Marilyn Manson, com seu Heart Shaped Glasses, em que ele faz sexo com sua namorada na vida real, e a dupla de videoclipes considerados pornográficos de Madonna: Erotica e Justify My Love. Para os padrões de hoje, contudo, os clipes da Diva são até bem simples... A nudez é quase sempre apenas sugerida. NO BRASIL O POVO TIRA A ROUPA? Apesar de usarmos fio dental como quem come um cachorro quente, e de sermos considerados homens e mulheres muito “quentes”, quase não temos artistas que se valem dessa estratégia nos clipes. Garota Nacional, do Skank, até hoje é um dos grandes sucessos da banda. Lançado em 1996, o videoclipe mostra fetiches sexuais que ocorrem em casas noturnas. Bastante ousado levando-se em conta o estilo pop/rock tranqüilo do grupo, o clipe mostra mulheres com lingeries e seios à mostra. Apesar de, na época, a música não sair das rádios por meses a fio, até hoje o videoclipe quase não passa na televisão aberta e é difícil encontrar a versão completa na internet. É a prova de que toda a ousadia tem seu preço... E se enquanto "tocava BB King" elas "trocavam de biquíni", elas se esqueceram de vesti-lo na hora da gravação do clipe. Em A Noite Do Prazer, de Cláudio Zoli, um jogo sensual acontece em meio a quatro paredes. O cantor tem os olhos vendados e mulheres ao seu redor brincam de diversos joguinhos apimentados. Entre um beijo entre duas garotas e banhos de banheira, vemos um razoável número de seios.
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