
Ringue Clipestesia
Editora-chefe X Redator
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Vítima: De Você - PittyNa primeira edição do Ringue Clipestesia, nosso redator Rodrigo está num embate de alto risco contra a editora-chefe Ariane . De um lado, Rodrigo irá defender o clipe De Você , da Pitty, enquanto Ariane trata de mandar os zumbis da cantora de uma vez pro além. Você vai torcer pra quem?
EU AMEI! Por Rodrigo Galhano Num tempo de vacas magras para a produção videoclíptica nacional, o novo clipe da Pitty chega para lavar a alma. A produção é muito bem feita, não deixando nada a dever para as produções estrangeiras, além da idéia do diretor André Moraes nunca ter sido explorada na videografia nacional: utilizar zumbis em um videoclipe. Lá fora Michael Jackson teve essa idéia com Thriller , em 1983. Resultado? Simplesmente o melhor videoclipe de todos os tempos. Claro que as coreografias do rei do pop ajudaram "um pouquinho", mas o fato de utilizar zumbis num clipe de música pop o diferenciou dos outros clipes do gênero, chamando atenção e dando originalidade ao vídeo. Tudo bem que outras bandas de rock nacionais, como Zumbis do Espaço e Os Catalépticos , têm os zumbis como tema comum em suas letras, mas provavelmente por falta de verba tempo nunca gravaram um clipe com os mortos-vivos. Então qual o mérito de Pitty? A cantora faz parte do cenário mainstream do rock nacional . Apesar das rádios e da televisão em geral terem aversão ao rock, Pitty já conseguiu até mesmo tocar na final do Big Brother Brasil, com uma audiência gigantesca. Ela poderia tranquilamente se acomodar e fazer clipes simples e sem criatividade; seu sucesso já estaria garantido pela exposição midiática que ela tem. Mas em vez disso, ela e o diretor André Moraes resolveram injetar um pouco de criatividade e ousadia no cenário rock nacional, dominado atualmente por bandas que se parecem muito com Mortos-Vivos, por viverem de sucessos requentados do passado, e por bandas novas que têm pouco ou nenhum talento mas que estão fazendo sucesso porque estão tocando o estilo de "rock" que é modinha no momento. Pra não dizer que eu só elogiei o clipe, vou criticar um pouco o diretor. Apesar da idéia dele ser bem interessante ele poderia ter criado uma narrativa melhor para o videoclipe. Influências não faltam...
AFE... EU ODIEI! Por Ariane Holzbach No início, parece que o negócio vai engrenar. Um homem de rosto estranho e um cenário sombrio fazem parte do que parece ser uma experiência maldita. “Nossa, que legal”, penso. Mas apenas cinco segundos depois minha expectativa se desfalece: um homem meio cinza meio branco meio sujo meio morto aparece deitado em uma cama... Com a boca suja de sangue (!). Na continuação da cena, o tal médico injeta um líquido verde (?) no homem com a boca suja de sangue, este abre os olhos e a música começa. E aí começa uma profusão de homens com a boca suja de sangue e um cenário tão sombrio, mas tão sombrio que acaba sendo difícil de visualizar. Quanta escuridão, gente! O primeiro homem com a boca suja de sangue vai retirando o lençol que cobre outros mortos (?) e esses, assim, do nada, ganham vida. Todos, claro, com a boca suja de sangue. A música pesada (algo raro no rock nacional) e muito bem produzida de Pitty contrasta com a tosquice do videoclipe. Ok, muitas vezes a tosquice é proposital, mas nesse caso é impossível saber. A utilização de mortos vivos, todos com a boca suja de sangue (será que era para serem vampiros?) e o cenário escuro podem ter sido pensados para causar medo, arrepios (hahahaha) ou risadas... Mas repito: é impossível saber! Entre os mortos vivos com a boca suja de sangue, imagens da banda tocando enfeitam a cena. Mas novamente, tudo escuro demais: toda a banda se veste com roupas pretas e cantam em um galpão escuro. A iluminação, feita com spots dispostos longe das cenas principais, tentam criar um clima de suspense e terror, mas acabam também impedindo a visualização das cenas. Parece uma estratégia utilizada para mascarar cenários e maquiagens defeituosas... Mas a melhor parte ocorre no final, quando a banda também se transforma em mortos vivos... Todos, obviamente, com a boca suja de sangue! O videoclipe é inspirado no clássico do terror, A Noite dos Mortos Vivos (1968), de George Romero. Quem conhece o filme e, com muito esforço, consegue relacioná-lo com o clipe, vai saber que a boca suja acontece porque os zumbis do filme são canibais e adoram sangue. Mas os problemas técnicos do videoclipe ofuscam a tentativa do diretor de inovar e mostrar criatividade. De repente, se as poucas cenas de animação que ilustram duas ou três partes tivessem mais espaço, o resultado teria sido outro. A iluminação, pelo menos, poderia ter sido muito mais ousada. E eu não gastaria três parágrafos falando dela. |