Edição #18/2008

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Ramones é punk. Sepultura é Heavy Metal. Nirvana é grunge. E Avril Lavigne?

Por Francisco Quiorato

 

Se fosse pelo nome, Avril Ramona Lavigne Whibley seria punk. Mas no início de sua carreira ela tentava ser grunge. Pelo menos era o que parecia.

Ainda garota, Avril cantava canções religiosas na Igreja e música country, como covers da também canadense Shania Twain. Mas logo em seu primeiro CD, “Let Go” (2002), a jovem de 17 anos surgiu com um estilo totalmente diferente desses. Tentando buscar referência nas bandas de Seattle, a canadense utilizava roupas largas, gravata, munhequeira, cabelos lisos e escorridos, graças à tratamento com maionese, e sempre aparecia com um rosto ingênuo.

O clipe de seu primeiro single, Complicated, apresenta a tentativa de mostrar certa rebeldia e traz o que viria a marcar seu próximo vídeo, o estilo garota skatista. No clipe, a cantora e seus companheiros de banda fazem uma algazarra em um shopping center, arrumando confusão com segurança ao “roubarem” um cachorro-quente do próprio, se jogarem numa piscina e brincarem com carrinhos elétricos pelos corredores do local.

Em determinando momento, Avril abaixa a calça e mostra o sungão que utilizava em vez de calcinha. Seria uma garota de atitude?

Em seu próximo vídeo, Sk8ter Boy, toda a caracterização anterior permanece e o skate ganha destaque na canção, vide o título. Para mostrar-se uma garota de atitude, ela interrompe o trânsito e faz um show em cima dos carros presos naquele congestionamento.

Após tanta atitude, iniciou-se uma fase mais tranqüila, mas ainda vinculada ao querer ser ou, pelo menos, parecer grunge. Nos clipes de I’m with you e Losing grip, Avril mostra que também abordava temas mais sensíveis e não tão banais, como skate.

Daí para a fase mais dark de sua carreira foi um pulo. Em seu segundo álbum “Under my Skin”, os singles Don’t tell me e Nobody’s home apresentaram uma nova fase da cantora, na qual o skate vira coisa do passado.

O último single desse álbum, He wasn’t, apresentava sutilmente o que viria a ser a fase “pink-Avril”.

Em seu mais recente álbum, The Best Damn Thing, Avril abriu mão do grunge, do skate e do dark para dar lugar à cor rosa-choque, a principal referência desse seu último trabalho e que está presente desde seu cabelo até os clipes, como no homônimo ao CD.

Nunca saberemos se a mãe de Avril não aprovou que ela fosse grunge nem dark e a cantora finalmente resolveu agradar sua mãe levando uma vida cor-de-rosa ou se ela resolveu seguir, e continuará seguindo, os “conselhos” do mercado.

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