
O que os Neogrunges tem de grunge?
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Os Videoclipes respondem!Colaboração: Rodrigo Galhano
Os “neogrunges” continuam com letras tristonhas, quase desesperançadas da vida. O que se diferencia do emo, pelo fato de que eles não são exatamente “românticos suicidas”, “apenas” “depressivos quase suicidas, anoréxicos”. Os clipes refletem as idéias das canções, com cenários muitas vezes sombrios ou extremamente tristes, levando o espectador a entender as mensagens musicais com uma facilidade ímpar. Na verdade, os vídeos de grunge têm essa capacidade exacerbada, o que faz deles alguns dos melhores já produzidos. Essa, aliás, foi uma das maiores heranças usadas pelos influenciados. Veja a anorexia em “Ana’s Song (Open Fire)” do Silverchair:
A história já é velha, mas para quem ainda não sabe, a Ana de quem Daniel Johns fala na música é a sua doença, a anorexia. Ele chega a citá-la literalmente. Toda a música trata de uma obsessão, de um sentimento que deixa a pessoa subjugada e humilhada. O clipe passa toda essa atmosfera através da imagem tratada de forma a deixar toda a imagem como se tivesse com o branco da câmera ligeiramente estourado (com brilho excessivo, que atrapalha na captação e na visualização das imagens). Sem contar o vocalista da banda que passa todo o clipe em uma cadeira de rodas, provocando a piedade e a solidariedade do espectador. Sua expressão vocal e facial de melancolia e tristeza contribuem para percepção da aura da música. Quando mais ou menos no meio do clipe, Daniel na cadeira é abandonado pelo Daniel que vai pegar a guitarra para juntar-se à banda, dá a deixa para uma interpretação de que quem sofre de anorexia, depressão ou qualquer dessas doenças psicossomáticas (manifestações físicas de males da mente) acaba por abandonar-se, chegando ao suicídio ou à morte por uma “auto-negligência”. Agora, uma dose de melancolia extra com “Don’t Stop Dancing” do Creed:
Tendo como cenário principal uma igreja que lembra o estilo gótico, com entradas de luz pontuais, que geram grandes áreas de sombra e criam a atmosfera de solidão, tristeza e amargura. A interpretação do cantor deixa clara a força do sentimento presente na letra, que trata de dores que a vida causa, de arrependimentos, mas, sobretudo, da força que se deve tirar dessas adversidades. Os próprios personagens que aparecem têm expressão pesada, triste e parecem carregar um peso, um arrependimento. Agora, para dar uma aliviada na tensão, um leve deboche com Weezer em sua “Buddy Holly”:
Nesse caso, é possível perceber ainda certa melancolia na letra da música, mas ao contrário de despertar uma desilusão, ela leva a uma ironia com relação a esse mal estar causado pelas situações da vida. O clipe traz exatamente isso, um ambiente de anos 50, com jovens dançando e curtindo o rock. Na canção há a citação do nome de Buddy Holly, um dos músicos precursores do rock e de Mary Tyler Moore, atriz que fez grande na década de 1970 por séries de TV nas quais atuou. Agora a banda dos órfãos de Kurt Cobain, Foo Fighters. Seu primeiro sucesso, “Learn To Fly”, é emblemático:
A temática da música continua a mesma: decepção com a vida e os rumos que ela toma. Por isso aprender a voar, para poder se libertar dos problemas e voltar para casa. No entanto, o tratamento do tema ganha contornos irônicos e na verdade um pouco “escrachados”. O clipe entra nesse clima e traz os integrantes da banda caracterizados como figuras estereotipadas dentro de um avião que vai passar por uma turbulência. Assim, Dave Grohl marca sua diferença para o som feito pela sua antiga banda Nirvana, que era extremamente exacerbada nas questões do peso emocional das letras e clipes.
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