Era uma vez um garoto chamado Brian Warner que nasceu em 1969 em Ohio, nos Estados Unidos. Filho de pai católico e mãe episcopal, logo cedo começou a freqüentar uma escola religiosa.
Aos 21 anos e medindo 1,90m, Brian já sabia o que ia ser quande crescesse: ingressou na faculdade de jornalismo e, pouco depois, começou a escrever sobre música para uma revista no sul da Flórida. Entrou em contato com bandas, músicos e até formou uma banda de rock.
A partir de 1989, Brian começou a investir de fato na carreira de roqueiro: fez muitos clipes, lançou seis discos desde 1994 e já está trabalhando no próximo. Rodou o mundo, encheu casas de show, apareceu em revistas, vendeu muito, casou-se, separou-se e, atualmente, namora a cândida atriz Evan Rachel Wood , que trabalhou no filme Garotas Malvadas. Como jornalista, escreveu
livros e dirigiu filmes.
Parece a carreira fofa dos Hanson ou dos Jonas Brothers daqui a alguns anos, correto?
Sinto desapontá-lo. Ou melhor, não sinto não!
Essa carreira normal é do enojado, detestado e nada aclamado Marilyn Manson. A única característica que diferencia nosso protagonista dos Hanson, ou de Sandy e Júnior, ou de Vinny(quem?), ou de Chistina Aguilera é o fato de ele utilizar o grotesco como arma publicitária.
Desde que subiu nos palcos pela primeira vez, Brian, ou melhor, Marilyn convenceu os integrantes de sua banda (que já foram muitos) a incorporarem um estilo esquisito de ser. Maquiagem pesada e temáticas ligadas àquilo que fofinhos jamais cantariam: violência, morte, torturas, drogas, demônios, pesadelos, sado-masoquismo, insetos...
PAUSA PARA MEDITAÇÃO
MARILYN MONROE + CHARLES MANSON (o assassino e torturador de Sharon Tate) = MARILYN MANSON
Por que tamanha esquisitisse? "Para mostrar as dicotomias sociais", afirma o culto Brian.
VOLTANDO À TORTURA
Assim, no lugar de declarar seu amor com poesia limpa e sem rodeios, como a fase atual de Bom Jovi, nosso querido Brian prefere dizer que não vive sem a amada, mas matando-a e enchendo seu corpo e um quarto inteiro de sangue no clipe de Heart-Shaped Glasses:
Nesse clipe, aliás, Brian faz sexo e mata a sua atual namorada, a fofa Evan.
Mas não fique tão escandalizado. Ele faz coisas piores em Tourniquet, onde alguns homens estranhos comem insetos e arrancam as próprias unhas, mas numa produção audiovisual de extremo bom gosto (!).
Ou no excelente e politicamente incorreto I don't like de drugs (but the drugs like me), em que pessoas sem cabeça, comprimidos, pó e televisão são mostrados à exaustão em um ambiente apocalíptico. A fotografia e o clima criado em torno do tema são belíssimos, ajudando a enriquecer metáforas sociais: seria a televisão a droga do século?
Esse jeito pouco ortodoxo de fazer música e clipes obviamente não agrada a todos. Brian chegou a ser acusado de inspirar o massacre de Columbine, em 1999, quando dois estudantes mataram doze alunos e um professor, suicidando-se em seguida. Mas Brian não é tão mau assim: os policiais descobriram que os estudantes-assassinos não eram fãs de sua música.
O jeitão de nosso jornalista cantar e fazer clipes, na verdade, nada mais é que um estilo. Um estilo que a gente pode achar de gosto duvidoso, mas que é hiper bem feito. Que o digam seus videoclipes. A produção, o roteiro e a temática costumam ser bem definidos e artisticamente primorosos.
Navegue por eles. Garanto que ninguém aparecerá à noite para puxar o seu pé.
EM TEMPO: o jeito Marilyn Manson de ser pode ser visto no seu incrível e temático site oficial. Lá, a gente descobre que, além de artista polêmico, Brian é um garoto que gosta de pintar. Não deixe de curtir a introdução em ritmo de videoclipe e comece a pensar: que tal ter um quadro pintado por Marilyn Manson na sua sala?