Vamos viajar pelo mundo encantado das contagens ritmadas videoclípticas... No final, você vai querer afastar os móveis e inventar a sua dança. Precisa de um par?
Com coreografias bem trabalhadas, piruetas, saltos, rodopios ou até mesmo passinhos discretos, a dança e as coreografias fazem parte da maioria dos videoclipes.
Para começar, vamos falar de um cara que tem tudo a ver com dança e clipe. O diretor espanhol Luis Cerveró, um grande estudioso da dança no videoclipe, deu uma palestra no Instituto Cultural Oi Futuro semana passada, no Rio de Janeiro, e nós conferimos tudo de perto.
Ele nos explicou, por exemplo, que as danças apresentadas nos videoclipes se dividem basicamente em quatro categorias: 1. A transposição de elementos dos musicais da Broadway e dos musicais dos filmes de Hollywood para os videoclipes. 2. A dança clássica ou contemporânea e a questão cênica presente nestas vertentes. 3. Coreografia que une características do universo militar e infantil tornando isso em algo celebrativo como as cheerleader – líder de torcida. 4. Dança com apelo sexual - o que inclui mulheres bonitas dançando. Muito desses clipes não apresentam um trabalho coreográfico por trás.
ANOS 70 E 80: NEM SÓ DE JONH TRAVOLTA VIVIA A DANÇA NO AUDIOVISUAL
Hoje em dia é difícil achar videoclipes que tratem a dança como protagonista, já que os artistas devem aparecer mais do que todos os elementos do vídeo. Esta mentalidade também era comum nas décadas de 70 e 80 quando os clipes ainda estavam em seu início.
Entre as exceções estão Kate Bush, a estrela de um hit só Wuthering Height.
Kate, além de cantora, é bailarina e por isso a dança em seus clipes deixou de ser um elemento secundário - muitas vezes tendo mais importância que a própria música ou a artista.
Por exemplo, no clipe de Runnin up that Hill Kate não aparece cantando a música em momento algum e a dança é utilizada para expressar toda a narrativa do clipe e os sentimentos da canção.
Babooshka e outros clipes da cantora também trabalham a dança como prioridade no videoclipe.
As bandas Devo e Kraftwerk, ao surgirem, incluíram em seus clipes uma espécie de dança bem particular feita através de gestos e poses utilizando o corpo de forma coreografada. Michael Jackson também é uma das exceções dos anos 80 com seus clipes que de uma forma ou outra incluiram com destaque a dança.
Trecho cortado de Black or White – Michael Jackson
ANOS 90: O SURGIMENTO DOS DIRETORES-ESTRELAS
Nos anos 90, o sucesso de bandas independentes e de músicas eletrônicas ajudou a modificar o panorama dos clipes produzidos. Muitos procuravam inovar experimentando novas técnicas e linguagens.
Uma dessas novidades foi retirar a figura do artista como eixo principal dos clipes. Assim, ao invés de mostrar cenas dos DJs discotecando, os clipes de música eletrônica trouxeram novas idéias - muitas incluindo a dança.
Isso foi possível devido à parceria entre diretores de videoclipes e artistas. Como esses clipes não priorizavam a figura do artista em si, os diretores se tornaram os novos ídolos no mercado de videoclipes, tornaram-se estrelas.
Desta união surgiram alguns diretores/estrelas que trabalham com as diferentes formas de dança, como Michel Gondry e Spike Jonze.
Em Around the world, da dupla Daft Punk, a coreografia executada pelos integrantes dos cinco grupos distintos de personagens obedece a música.
Poucos reparam, mas cada grupo remete a um instrumento presente na canção, e só iniciam sua coreografia quando o som do instrumento "entra" na música.
A dança é a prioridade do vídeo quando notamos a forma como o diretor Michel Gondry decidiu registrar a coreografia, através de planos abertos sem cortar ou excluir elementos. Weapon of choice de Fatboy Slim e It´s oh so quiet de Björk - ambos dirigidos por Spike Jonze - também trazem a dança em destaque; mas desta vez com elementos dos grandes musicais americanos.
Essa característica de retirar a banda do foco do clipe é utilizado até hoje e também pode ser visto no clipe de Crazy Beat do Blur .