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Não pelos olhos e nem pela pele, mas pelo perfeccionismo. Que o digam suas coreografiasPor Ariane Holzbach (ariane@clipestesia.com.br) Não, meu caro leitor, eu não estou obcecada pelas Olimpíadas. Na verdade já estou até meio enjoada. Entra ano, sai ano e é tudo igual: o time masculino de futebol não chega à final, todo mundo leva queda na ginástica artística e o atletismo é uma vergonha completa. Acho que é por isso que, no lugar de passar as minhas últimas madrugadas vendo até a comentarista do vôlei de praia chorar de tristeza, preferi rever os videoclipes do sempre imitado mas nunca igualado Michael Joseph Jackson. Sempre que revejo, repriso e vejo novamente seus mais de 30 videoclipes, faço as mesmas perguntas: como podem seus passos serem tão atuais? De onde veio tamanha criatividade? Como um garotinho criado num ambiente estressante, trabalhando desde os 11 anos, conseguiu revolucionar o mundo da dança moderna e do entretenimento? É neste momento que me lembro da China Como Michael Jackson, a China teve um passado estressante - para dizer o mínimo - e hoje se preocupa muito, muitíssimo, exageradamente com a sua imagem. Aos olhos do mundo, a China quer ser tão perfeita que é capaz de fazer seus habitantes trabalharem até a exaustão felizes da vida, pelo menos aparentemente. Da mesma forma que a China tem o poder de transformar a obsessão em algo divertido, Michael Jackson conseguiu transformar até a NBA - liga americana de basquete - em coreografia. O videoclipe de Jam é pouco conhecido no Brasil e faz parte do álbum Dangerous, de 1992. Na tela, Michael Jackson ensina passos de dança a Michael Jordan, enquanto este tenta ensinar basquete ao Rei do Pop. Nesse jogo, quem sai ganhando são os amantes da dança, que têm a oportunidade de ver como os dois Michaels conseguiram unir um esporte violento e duro com a beleza da arte coreográfica.
PRA SER CAMPEÃO TEM QUE TREINAR!!!Michael sempre gostou de dançar, e isso ficou claro desde a época dos Jackson Five. Sua grande ambição foi mostrar ao mundo seu talento de artista, cantando e dançando como ninguém. Para isso, nunca poupou esforços. Suas vários biografias não autorizadas afirmarm que, no início, seu pai Joseph não se cansava de surrá-lo até que ele aprendesse toda a coreografia. Mas quando Michael cresceu, passou a criar sozinho e a treinar por horas todos os dias, até que tudo saísse perfeito. O grande problema é que Michael NUNCA achava que estava tudo perfeito e SEMPRE quis ser o melhor. (Igual ao governo chinês?) Muitos dizem que a angústia que esse perfeccionismo lhe causava foi o grande pontapé para o início de sua vida bizarra - desde o isolamento num rancho muito esquisto até as cirurgias plásticas e tudo o mais que todos já sabemos - e dessa forma para a decadência artística. Segundo testemunhas, Michael queria muito se superar ao criar a coreografia de Bad, de 1987 - um dos ícones de sua carreira -, fazendo com que os bailarinos repetissem muuuuuuuitas vezes cada passo, incluindo o emergente Wesley Snipes. O clipe foi dirigido por Martin Scorcese e tem na coreografia seu ponto forte. Os passos apresentam toda a atitude do jeito Michael de dançar: de forma empolgante, reto, extremamente compassado, misturando a delicadeza da dança clássica com a modernidade da dança de rua. Praticamente perfeito.
E para terminar, a opinião muito pessoal desta autora, que tem no videoclipe de Smooth Criminal, de 1988, o grande exemplo do poder da coreografia.
ACHA EXAGERO? Então assista e responda: Que outra coreografia conseguiu transformar até atos sem glamour, como apostas de dinheiro, subidas de escada, brigas, um simples caminhar e até uma piscada de olhos em dança? Palmas para ele.
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