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Volta às aulas no Clipestesia é assim: rodeado de clipes escolares que vão cair na nossa prova. José Maria Pugas Filho (ze@clipestesia.com.br)Colaboração: Marcelo Mendonça (marcelo@clipesteisa.com.br) Poucas escolas podem gozar de tanta tradição quanto as escolas do mundo dos videoclipes. E como são diversas estas escolas. Desde as mais rígidas e sádicas, como a Pink School de Another Brick in The Wall até as mais liberais como a de High School Music, a vida escolar sempre atraiu músicos e diretores de videoclipe pelos seus múltiplos usos. É difícil pensarmos qual foi o primeiro clipe a ser ambientado em uma escola. Os primeiros grandes musicais de Hollywood já tinham as salas de aula como locação privilegiada. Grease pode não ter sido o primeiro, mas definitivamente conquistou o público bem antes de Britney engatinhar coreografias. Os filmes musicais que se passam em escolas surgiram bem antes, e o principal antecessor do High School Musical foi o filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”. Protagonizado por John Travolta e Olivia Newton John, cada música recebia um “clipe” no filme. O longa-metragem é de 1977 e a linguagem de videoclipe ainda estava sendo firmada. Na trama, Sandy é uma menina do interior recatada que se apaixona por Danny durante as férias. Os dois se reencontram por acaso quando voltam às aulas. O clipe mais emblemático é Summer Nights. Escrita por Barry Gibb, do Bee Gees e com direção de Randal Kleiser, o vídeo foi um sucesso como os outros que faziam parte do filme. Os clipes do filme em geral abordam não só o colégio, mas todo o universo que o norteia, compreendendo o momento escolar como ideal para discussões sobre gravidez na adolescência (There Are Worst Thing I Could Do), insegurança quanto ao futuro (Beauty School Drop Out) e sempre remetendo à questão da juventude transviada, já que o filme se passa na década de 50.
Ainda mais complicado é perguntar o porquê desta ânsia de ambientar clipes dentro dos muros escolares. Talvez pela tradição das aulas de música e bandas nas escolas e universidades americanas ou pela juventude consumidora de videoclipes querer se ver retratada em seu cotidiano com uma pitada de fantástico. Impotentes para resolver este mistério do mundo videocliptíco, CLIPESTESIA se aventura em analisar diferentes escolas e contar tudo para vocês. Boas aulas! TRÊS ESCOLAS, TRÊS COREOGRAFIAS E A PROVA DOS NOVE: POR QUE ALUNOS COOL SEMPRE SÃO OS MELHORES DANÇARINOS?Um dos principais pontos do videoclipe é a forma como ele “vende” a imagem do artista. A identificação com o público alvo pode vir ilustrada bem além da imagem que a cantora representa, mas também pelo seu “leitor oculto” no videoclipe. Em seu primeiro clipe, Britney Spears queria dizer a que veio e para isso utilizou-se do ambiente escolar, já que naquele momento tinha apenas 17 anos. “Hit me baby one more time” apresentou a cantora em uniforme colegial, mas se engana quem acreditava que a princesinha do pop (naquele momento, ainda não era e nem sabia que seria a detentora de tal posto) surgiria de forma comportada e como uma aluna exemplar. A até então estreante utiliza a ingenuidade como sensualidade. A provocação não existe de forma claramente proposital: Britney sempre se direciona para a câmera olhando de baixo para cima, apesar de o plano da câmera ser geralmente o americano, que é mais tradicional. Essa forma com que Britney se direciona traz uma sensação de submissão da cantora teen. É engraçado reparar o “poder” do relógio e o sinal da escola. Britney Spears se transforma de uma simples estudante à garota mais popular da escola em segundos, dançando pelos corredores da escola.
Com o toque do sinal, a cantora traz certa ousadia, que marcava o início de sua carreira de sucesso, ao sair com seus amigos para o corredor e aparecer com a saia acima do joelho, camisa amarrada, decotada, com o sutiã à mostra e barriga de fora. ESPORTE NÃO DEIXA NINGUÉM DE RECUPERAÇÃO Edu Ribeiro, no clipe da música “Me namora”, também volta ao tempo da escola, mas em seu caso trata-se de algo menos colegial e mais no estilo de cursinho de pré-vestibular. As situações mostradas lembram em algum momento as retratadas no vídeo de Britney, como: a turma no corredor, algumas garotas com decotes, mas nesse caso não há coreografias; e a prática do basquete, entretanto Edu Ribeiro também traz um pouco do skate. A grande diferença encontra-se na quase total inexistência da paixão escolar no vídeo da cantora e na onipresença da mesma no clipe do cantor. De início, Edu já traz a troca de olhares que evolui para uma carta sendo colocada escondida dentro da mochila e tem o desfecho com a concretização do namoro. Situações cotidianas dentro de um universo escolar de adolescentes que estão lidando com suas primeiras paixões, porém que não parece tão real quando um cantor que não se encontra nessa faixa de idade se passa por um deles. Mesmo sabendo que ele a música é inspirada em uma história vivida pelo próprio na escola. Já em High School Musical, encontra-se a integração entre música, escola e paixão. Esses três elementos estão presentes em todas as situações vivenciadas pelos personagens do filme que terá a segunda seqüência lançada ainda este ano, além de muitas coreografias. No primeiro filme da série, tudo é ambientado na escola, de forma que as seqüências musicais concentram-se no ambiente escolar. Pode ser nos corredores abordando a paixão entre os protagonistas Troy e Gabriella (“When there was me and you”), no refeitório (“Stick to the status quo”) ou mesmo na quadra jogando basquete (“Get’cha head in the game”). Já no segundo, utilizando-se até mesmo de uma seqüência lógica, os estudantes estão de férias, ou seja, chegou o momento mais esperado do ano e isso fica bem claro logo na abertura com “What time is it”, mas eles ainda estão na escola. Partindo para um espaço extra-escolar, temos “Fabulous” que utiliza a piscina do clube onde passarão as férias. Mas os causos amorosos continuam (“Gotta gon my own way”), assim como os esportes e as coreografias. Dessa vez o basquete também está presente, mas o destaque é para o baseball e os passos ensaiados em “I don’t dance”. O final dos filmes sempre traz todos os personagens cantando e dançando juntos (“We’re all in this together” e “All for one”), um momento com uma mensagem positiva e um tanto nostálgica, para os que já viveram essa fase, em um estilo que remete à festa da turma ou formatura, que, por sinal, será o tema do terceiro filme da série. Aliás, como em todos os filmes juvenis, os alunos cool são dançarinos coreografados? Freddie Prince Jr. que o diga. ALUNOS BEM APLICADOSB5 O reflexo do cotidiano teen aparece em clipes como Matemática da banda B5. No clipe, os meninos que estudam num colégio interno ficam de olho em uma garota que passa pela escola. Como estão de recuperação em matemática, não podem encontrá-la. No ano de 2002, a banda em que os integrantes tinham cerca de 14 anos conseguiu a identificação com o público da mesma faixa etária. Kelly Key No clipe “Baba”, de Kelly Key, a cantora aparece como uma colegial sem a caracterização clássica. Ela se insinua para Marcello Novaes, que no clipe interpreta seu professor. Além de insinuações com canetas, cruzadas de perna e minissaias, ela faz um strip-tease para o professor pela janela. O vídeo conta com uma edição que privilegia as formas de Kelly Key e principalmente mostra a loira de baixo para cima, trazendo uma maior autoridade para a “ninfeta”. Por último, o diretor João Elias Junior utiliza a questão do voyeurismo quando mostra o professor observando Kelly Key se despindo pra ele fora do ambiente escolar.
EU TENHO UMA DÚVIDA: por que videoclipes insistem na figura da colegial? A mistura entre ingenuidade e sensualidade é perfeita para um videoclipe que visa atingir ao público juvenil. Ao mesmo tempo em que as meninas se identificam, os meninos se apaixonam, os adultos deliram e a cantora, ah, essa vende milhões de cópias! E AS AULAS CONTINUAMPara continuar as aulas, CLIPESTESIA publica nesta edição reviews de clipes essenciais para se passar de ano. E sim, a matéria cai na prova. LEITURA COMPLEMENTAR# Be Cruel to Your School – Twisted Sisters com Alice Chains # Music of My Heart – N’Sync e Gloria Stefan # Gangster Paradise - Coolio # Another Brick in The Wall – Pink Floyd # Nephilim – Abingdon Boys School # If want be the Teacher`s pet – School of Rock
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