A cultura Romani do povo cigano remonta a Índia do ano 1000 A.C. e sua diáspora voluntária para o oeste. A migração por países da Ásia Central, Oriente Médio, África do Norte e Europa concedeu contornos únicos a um povo que viajou com circos e orquestra itinerantes.
Mas o que isso tem a ver com clipes?
Nos anos 90, artistas ciganos, principalmente dos Estados Unidos e da Europa Central difundiram um novo ritmo tão influenciado pelas rotas migratórias quanto a música romani tradicional. O Gypsy Punk.
Este termo cunhado pelo artista mais emblemático deste movimento, Eugene Hütz da banda nova iorquina Gogol Bordello, serve para designar o estilo musical nascido da mescla do Punk Rock urbano e dos instrumentos tradicionais ciganos, como acordeões, violinos, trompete e saxofone. As letras são um show a parte, compostas de línguas romani, ocidentais, dialetos, gírias ou a mistura disso tudo em intensos segundos de um ritmo surpreendente.
Os clipes reafirmam este caos migratório. O Dark Cabaret, movimento musical descrito na última edição desta magazine, aproveitou-se com firmeza da estética destas bandas, com adereços circenses, típicos da cultura cigana, e a presença de um humor ácido, onde maldições e praguejares são mais presentes que declarações de amor. Mas, claro, nesta bagunça, bandas Judaicas entram na festa, como a JUF e a Golem, por seus sons bem parecidos, apesar de não investirem em estéticas circenses.
Quer saber mais? Veja algumas bandas que cultivam suas raízes ciganas com muita vodka.