Os cantos de uma revolução global José Maria Pugas Filho (ze@clipestesia.com.br) O rock, acusado durante os anos de Guerra Fria de ser uma das mais potentes armas culturais do ocidente capitalista, foi banido por países comunistas e até alguns capitalistas. Os Estados Unidos e a Inglaterra, principais produtores de rock, foram ao mesmo tempo amados e contemplados com admiração pela sua produção musical. Beatles e Elvis, principais ícones desse diálogo rockeiro, foram copiados em países tão distantes quanto Índia e Mongólia, rendendo clipes adoráveis – ou medonhos, dependendo do ponto de vista.Com o fim da Guerra fria, o rock seria acusado ainda de ser uma arma cultural. Dessa vez, a sustentação é a suposta homogeneização das produções musicais pelo mundo, retirando das expressões regionais o poder que antes tinham. Muitos críticos ignoram, contudo, a força de adaptação dos povos, além de desconsiderarem o rock como um estilo musical plenamente moldável e que pode ser assimilado facilmente pelos artistas de um determinado país. Da mesma forma que não existe a essência universal do rock, não existem cópias exatas que não contenham adições daquela cultura que a adotou. Compreendendo o rock como um signo universal, é mais adequado que se identifique nele uma língua de união dos povos, mais do que como uma arma de destruição em massa dos mais fracos e isolados. A expressão de uma banda mongol através do rock será mais notada que através de traços locais, ao mesmo tempo que será um caminho para que a audiência de uma cultura ocidental venha a descobrir a cultura daquele país.
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