A explosão de Seattle: o Grunge
Lembrou dos clipes do Nirvana? E do Pearl Jam? Ah... Mas há muito mais....

Patrícia Angélica (paty@clipestesia.com.br)

O grunge nasceu em Seattle (Washington, EUA) e teve como maiores representantes bandas dessa cidade e de outras também no Noroeste dos EUA, na virada da década de 80 para 90.
Sofrendo influências diretas do punk, hard core e movimentos alternativos, possui uma sonoridade agressiva, às vezes um pouco melódica. As letras costumam ter um teor de humor negro, bastante irônico e sarcástico, além de um ar depressivo e desesperançoso.
O grunge não pode ser definido como um tipo totalmente específico de música, pois as diversas bandas eram influenciadas por vários sons diferentes que, em alguns casos, convergiam.
Existe um número bastante grande de bandas grunge, porém, vamos nos fixar nas mais famosas.
Obviamente, para começar vamos de Nirvana. Arrisco a dizer tranquilamente que eles foram os mais famosos, na verdade ainda são famosíssimos. Imagino que a maioria deve conhecer a história da banda, mas não custa dar uma introduzida.
Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl formaram a banda em 1987 na cidade de Aberdeen. A carreira deles foi bastante rápida, durou apenas sete anos. O fim ocorreu graças à morte até hoje bastante incógnita do vocalista Kurt Cobain. Nem por isso pode-se dizer que eles fizeram pouco sucesso: há contagens que chegam a 50 milhões de discos vendidos, e até hoje continuam sendo uma das maiores referências do Som de Seattle.
A produção videoclíptica do Nirvana também é de impressionar. Um dos maiores sucessos da banda, “Smells Like Teen Spirit” que saiu do segundo CD da banda, Nevermind (1991) possui um clipe emblemático, por se configurar como tendo muito bem definidas algumas das principais características da linguagem de videoclipe.
Dá só uma olhada em como o clipe começa calmo, com o público semtado, a banda tocando “de boa”. Conforme o tempo passa, vai tudo ficando mais bagunçado e até “violento”(a isso dá-se o nome de “esfera sonora”). Notem também como as cores usadas no cenário e nas personagens são mais quentes (amarelo, vermelho etc.) que deixam o ambiente pesado, carregado e ajuda na compreensão imagética da música – isso se chama de “paisagem sonora”.

Eu poderia ficar aqui horas e horas, ou melhor, parágrafos e mais parágrafos falando dos clipes do Nirvana, mas como o Grunge não é só eles...
A banda Alice In Chains surgiu no mesmo momento que o Nirvana e teve seu maior sucesso mais ou menos na mesma época. Eles ganharam projeção quando uma canção de seus mais novo álbum (na época, é claro!) foi trilha do filme Vida de Solteiro (Cameron Growe, 1992). A música era “Would?” e além de ser tocada durante o filme, havia uma seqüência na qual a banda aparecia tocando a música.
O clipe começa com cenas em preto-e-branco de pessoas em situações de romance ou solidão. Em um dos primeiros planos, aparece a inscrição “singles” (solteiros, em inglês) em uma foto com várias pessoas em momentos diferentes. Enquanto isso a música é um lamento só... Mas quando a letra se inicia, as cenas dão espaço para a performance da banda, com o fundo do cenário cheio de fotos de momentos fofos e felizes. E depois, na verdade, ficam se misturando as cenas das pessoas com as cenas da banda.

O Pearl Jam surgiu em 1990 em Seattle e segue até os dias de hoje, ainda que sem a mesma projeção da época de ouro do Grunge (primeira metade dos anos 90) – quando havia diversas bandas desse estilo e todas faziam muito sucesso.
Dentre vários sucessos, destaco aqui “Alive”, para sair do lugar comum, pois sempre que se flaa em clipes do Pearl se fala em “Do The Evolution”, que pessoalmente eu não gosto muito (admito que a animação é muito bem feita, mas não é o tipo de clipe que eu gosto, acho meio chocante demais!).
“Alive” fala de morte, solidão, as coisinhas deprê de sempre (nossa, começo a achar que os emo tiraram inspiração dos grunge!!!!). O clipe é bem simples, começa com imagens de um mar que aparece em diversos momentos “sobre” a banda cantando no palco. Todo em preto-e-branco, mostra apenas a banda tocando num show. Mas tudo começa mais calmo, até que ao final, o vocalista Eddie Vedder se joga sobre o público que o assiste. Deste momento em diante, fãs sobem ao palco para “dançar” (leia-se pular, rodar a camisa e balançar a cabeça... tudo bem... essa é a forma de dançar dos roqueiros...) e “ir pra galera”.

Soundgarden foi a primeira banda a se formar, em 1984, em Seattle e, junto com as demais citadas, representa o estilo Grunge de ser e tocar. O maior sucesso deles, conutdo, veio apenas dez anos depois com o CD Superunknown e o single vencedor do Grammy “Black Hole Sun”.
Só para variar um pouco, a música fala de tristeza, comparando-a com uma chuva que só o sol pode levar embora. É um chamado ao “black hole sun, won’t you come, won’t you come”. Confesso que esse clipe me deu medo! Não no começo, porque ele até parece que vai ser bonitinho. Mas aí surge um cara muito estranho que parece hipnotizar as pessoas que estavam felizes em suas vidas pacatas e ensolaradas.
A banda aparece numas montanhas com um céu de fundo, ele começa azul e cheio de nuvens brancas, e vai escurecendo aos poucos. Começa a ventar bastante e depois a chover! Um pouco depois do meio do clipe, parece que tudo se acalma. Mas é momentâneo. Pois uma menina está fazendo churrasco de sua Barbie enquanto chupa um sorvete que depois o cospe (eca!!!!!!!). O clipe é bacana, mas tem de ter estômago forte para assisti-lo!

Agora vamos atacar com a única banda grunge que tinha integrantes mulheres! L7 se formou em 1985 em Los Angeles. O nome da banda surgiu da gíria americana para quadrado, que seria formado por um “l” feito com a mão esquerda (polegar e indicador em 90º) e o número “7” feito com a mão direita quase da mesma forma, mas de cabeça para baixo.
Aqui vamos ver o L7 pela lente do clipe de “Pretend We’re Dead”, do álbum Bricks Are Heavy (1992). É mais um momento deprê dos nossos queridos grunge! Na verdade é mais uma revolta... Mas fala de morte, é inevitável que pensemos em algo fúnebre.
O clipe mistura imagens preto e branco com imagens coloridas. Em alguns momentos aparecem pessoas pobres e em outros, pessoas mais ricas, empresários de terno e tudo! A banda aparece tocando, sempre numa postura mais reservada, como se negasse o “modus vivendi” da sociedade. Novamente o vídeo começa mais calminho, com planos um pouco mais longos e uma câmera mais fixa. Daí a câmera começa a fazer movimentos desordenados, com cortes mais freqüentes e rápidos, além da banda que começa a tocar mais freneticamente no palco.

Para encerrar, não com o menos importante. Pegamos a banda Hole, formada em 1989 por Courtney Love e Eric Erlandson. Depois de experiências frustradas como vocalista de bandas como Faith No More, Courtney partiu para esse projeto. Depois de diversas formações a banda acabou oficialmente em 2002.
Vamos abordar “Celebrity Skin”, uma crítica às pessoas que pensam em viver como celebridades, no glamour e na riqueza. O clipe joga o tempo inteiro com a imagem da beleza, do glamour, do dinheiro, do espetáculo. No início, Courtney se joga no nada e quando ela vai se espatifar no chão, o que quebra é um lustre de cristal. Bela metáfora para a fragilidade desse estilo de vida! Como sempre, a banda aparece tocando, mas dessa vez em um cenário nada “fuleiro”. Em volta da banda há bailarinas seguras por cabos de aço, tudo brilhante, colorido, bonito, grandioso! No entanto, lá pelo meio do clipe, é possível ver que as coreografias ficam mais “ousadas” e menos glamorosas. A banda passa a tocar de forma mais agressiva e as imagens em alguns momentos causam certo estranhamento.

Como foi possível perceber, os clipes de grunge usam muito de esfera sonora. Como se quisessem começar convidando o espectador a revoltar-se junto a eles e no final já estivessem colocando para fora tudo o que lhes estava “entalado na garganta”.
As bandas também possuem humor, bastante irônico e sarcástico, beirando o humor negro. Daí por que falar tanto de morte! O grunge foi um estilo que deixou muita bagagem e aqui não abordamos todas as bandas que gostaríamos. Infelizmente é um estilo que quase não encontra representantes na atualidade, pois a maioria das bandas ou já acabou ou quase não faz mais sucesso.






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