De Elvis a Dire Straits: eles viveram em nome do rock and roll Artistas e bandas que deram o pontapé inicial na fascinante história do rock – e do videoclipe também!

Larissa Castanheira de Souza (larissa@clipestesia.com.br)

O gênero musical que hoje conhecemos por Rock surgiu nos anos dourados da década de 1950 por influência do blues, country e jazz, no sul dos Estados Unidos. Nessa região, esses ritmos tinham mais repercussão, numa época em que nem se ouvia falar em videoclipe.
É então que surgem nomes que ecoam até hoje, como Elvis Presley, que em Memphis viu um anúncio numa praça – “faça seu próprio disco, 2 canções por US$4,00” – da gravadora Memphis Record Service. Um pontapé inicial na sua carreira e em toda a história do rock.
Com sua voz e passos ousados, Elvis lança moda e continua sendo uma das maiores influências no mundo da música. Esse vídeo, vejam bem, não é um videoclipe, é uma cena do filme Jailhouse Rock (música homônima), um de seus longas que na época lotavam as sessões nos cinemas...

Talvez a faixa etária que hoje tem seus 30 anos ou menos não entenda direito por que Elvis foi um fenômeno. Ele desconstruiu os padrões musicais da época e, além disso, suas reboladinhas eram simplesmente inusitadas, o que deixava qualquer James Dean no chinelo e conquistou de vez a platéia feminina.
Além do Rei do Rock, outros da mesma época influenciariam mais artistas do gênero, como Bob Dylan, que começou no rock, mas debandou pra folk music, apesar de ter muitas de suas músicas interpretadas por rockeiros.
Chuck Berry, guitarrista e compositor, que gravou grande parte de suas canções mais famosas junto a um pianista, Johnnie Johnson, um baixista, Willie Dixon, e um baterista, Fred Below, composição que sintetizava o estilo rock n’ roll.
Nesse vídeo, em uma apresentação de TV, podemos observar por que Chuck Berry é um dos ídolos de guitarristas como Keith Richards (que chegou a fazer uma homenagem a ele em seus 60 anos, em 1986). Também lembra um videoclipe.

Aqui, uma cena do filme Pulp Fiction (1994), uma das mais conhecidas em todo o mundo, com John Travolta e Uma Thurman dançando... Ao som de Chuck Berry!
Mais um que seguiu essa linha do rock foi Johnny Rivers, como podemos ver nessa apresentação para TV de 1959. Rivers estava com apenas 17 aninhos, como diriam nossas tias, um pão:

Mal saiu das fraldas e o rock já conquistou o cenário mundial, e, na década de 1960, o que temos é um boom de rockeiros, que se valeram da experiência dos americanos dos anos 1950. Claro, essa febre teve início na Inglaterra com os Beatles.
A influência do rock nascido nos EUA era tão grande que o nome, The Beatles, foi originado por causa do nome da banda de Buddy Holly, The Crickets (respectivamente, besouros e grilos, traduzindo para o português).
Com um sucesso superior ao de Elvis, os Beatles foram uma referência para a juventude da época. Um estilo de vida que ganhou até nome: beatlemania. Neologismos à parte, uma forma que encontraram para se promover foi idêntica à do Rei, com filmes musicais exibidos nas telonas. Além disso, os Beatles fizeram várias apresentações na televisão e, de forma inovadora, chegaram a gravar apresentações para serem transmitidas enquanto faziam shows ao vivo.
Dos filmes, podemos extrair as cenas das canções que, isoladas, possuem alguns elementos da linguagem de videoclipe, agora, que começava a surgir.
A Hard Day’s Night, música da abertura do filme homônimo.

Lucy In The Sky With Diamonds, do filme Yellow Submerine.

Help!, do filme homônimo.

Aqui a cena do filme em questão:

E aqui um video promo (!!), do single:

Quem podia disputar com os Beatles eram os Rolling Stones. Surgiram cinco anos mais tarde, em 1962, e seu impacto no mundo não foi tão estrondoso (reparem, estou comparando com os Beatles hein!), pois já seguiram por outra linha, digamos, mais radical.
Nessa época, começava um movimento de rebeldia num mundo onde havia uma atmosfera tensa ocasionada pela Guerra Fria. Movimentos de ruptura com os padrões da sociedade, opostos ao cenário político, começaram a se refletir na música e no consumo de drogas.
Foi justamente essa imagem que os Rolling Stones passaram, contra o conservadorismo dos valores tradicionais. E conseguiram sua primeira polêmica com o single Sympathy For The Devil. Apesar de acusados de satanismo, essa é uma das músicas mais famosas da banda.
Eis o trailer do filme dirigido por Jean-Luc Godard, de 1968

Mas videoclipe mesmo veio só mais tarde... Como este, de 1997


Música: Anybody Seen My Baby.

Sim, os Rolling Stones também protagonizaram filmes, mas já não foram tão populares quanto os Beatles ou Elvis.

E DEPOIS DOS BEATLES E DOS ROLLING STONES?

Após os dois furacões britânicos, vieram muitos outros artistas que criaram sons diferentes do rock até então conhecido. Nascidos no Reino Unido, em sua maioria, levaram a sonoridade para outras vertentes, como blues, psicodélico, experimental e progressivo.
Nessa época, foram produzidos alguns videoclipes, mas o objetivo dos vídeos era meramente a exposição do artista com finalidade publicitária. Não havia, de maneira geral, grandes preocupações com a experimentação,
The Doors


Em um de seus maiores hits, Break On Trough (to the other side), do primeiro álbum, 1967.
O videoclipe pertence a Elektra Records, e está no DVD comemorativo de 30 anos da banda, de 1997.

The Who


The kids are all right – 1965, videoclipe promocional, e muito iguais aos Beatles.

Janis Joplin sempre manteve sua linha blues, caracterizando o blues rock. Assim como Eric Clapton, essa influência do blues era muito mais perceptível do que na década passada com Elvis ou Little Richard, na qual o rock era uma variação do rithm and blues.
Sua carreira foi breve, de 1967 a 1970, porém em três anos ela mostrou a que veio:


Apresentação de Try (Just a little bit harder), em Woodstock, 1969.

The Animals, com seu primeiro álbum lançado em 1964, trazem um som mais baseado no rithms and blues, com influência direta de Bob Dylan, Chuck Berry e Little Richard, entre outros.


Vídeo de House of the rising Sun, de 1964.

Eric Clapton, que nunca largou suas raízes no blues. Na versão Yardbirds, 1963.

E na versão Cream


Em 1968, Crossroads.

Genesis, também made by UK, começou com Peter Gabriel em 1967. Aqui temos o vídeo de Mama, já da era Phil Collins, em 1981.

Pink Floyd surgiu em 1965 e, ao que parece, já tinha esse lado cult de ser, um tanto psy vai, observem esse vídeo, Astronomy Domine, 1967.

Quase tão epiléptico quanto o Seven Nation Army dos White Stripes, embora em preto e branco não dê para ter muita noção. Ao vivo provavelmente estava cheio das cores... Falando nisso, é linda demais a apresentação deles de Wish You Were Here, do Pulse Tour, feito em 1995.
Mas o grupo só alcançou seu ápice em 1979, com Another Brick In The Wall.


Vídeo original...

E agora aquele mais famoso, do filme The Wall, cujo roteiro é do próprio Waters, lançado em 1982:

Yes, que lançou seu primeiro álbum em 1969, aqui numa apresentação pra TV Suíça, no mesmo ano:


Música Beyond and before

Jefferson Airplane


No festival de Woodstock em 1969, com uma de suas primeiras músicas de sucesso, Somebody to Love.

The Byrds, formada em 1964 nos EUA, foram um dos precursores do folk rock e do rock psicodélico.


Cenas de sua apresentação no Monterey Pop Festival, de 1967, música, Chimes of Freedom.

Jimi Hendrix


Após tocar Wild Thing, sua cena mais marcante: coloca fogo na guitarra e depois termina por destruí-la no braço mesmo. É o que chamam de guitar sacrifice.

Ainda nesse cenário temos Led Zeppelin, com início em 1968, mais um grande sucesso do rock britânico.


Música: Stairway to Heaven, cena de seu filme The Song Remains The Same, 1976.

E nessa leva do final dos anos de 1960 também podemos citar o guitarrista Carlos Santana, mexicano que migrou para os EUA e lá começou sua carreira, em 1969, no festival de Woodstock. Ele é famoso por suas parcerias com outros cantores, de diversos estilos.


Sua apresentação no Woodstock, música: Soul Sacrifice

Eu sei que já falei sobre a beatlemania, né? Olhando o style dos meninos dos The Beach Boys, que inauguraram a surf music tendo como cenário as praias californianas, podemos reparar que a beatlemania atravessou os 7 mares!


E eu não pude deixar de reparar nos primórdios da Dança do Quadrado logo depois dos 30 segundos de vídeo.

Ao final dos anos de 1960 também surge o Queen. Aí sim, temos o primeiro videoclipe reconhecido pela história do rock... do mundo!

Bohemian Rhapsody não foi apenas um videoclipe de sucesso, não foi apenas o primeiro videoclipe oficial de todos os tempos: foi considerado o maior clássico de todos os tempos na história do rock n’ roll! Claro, há controvérsias, pois gosto não se discute. E A Night At The Opera ainda foi comparado ao White Album!!! É a primeira comparação com os Beatles. Queen rocks!
Ao final da linha do tempo, temos o Dire Straits, que começou em 1977 (UK), mas retomou a sonoridade do rock clássico, em meio a tantas bandas punks, heavy metal, hard rock. Num livro do curso de inglês, havia um breve diálogo entre dois amigos. Um convidou o outro pra ir ao show do Dire Straits, uma banda nova que estava surgindo. O outro fala que eles nunca fariam sucesso, que aquela música estava fora de moda. E é bem a temática de Sultans of Swing: it ain’t what they call rock n’roll.


Vídeo de 1978.

Mas seu videoclipe mais popular é Money For Nothing, de 1985.


Primeiro videoclipe a ser exibido na MTV britânica. Isso é que é status.

E com a simpatia sonora do Dire Straits, chegamos ao final de uma era. Uma era mágica, mística, uma mistura de emoções sem nenhuma razão, assim surgiu o rock n’ roll. O classicismo dessa primeira fase se deve à ousadia daqueles que apostaram em algo novo, proporcionando aos novos músicos uma base para criar outros ritmos, outras identidades.





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