Música, clipes e drogas infelizmente fazem uma combinação bastante comum. O que o vício pode causar a um artista?

Por Larissa Castanheira (larissa@clipestesia.com.br)
Colaboradoras:
Patrícia Angélica (paty@clipestesia.com.br) e Ariane Holzbach (ariane@clipestesia.com.br)

Você conhece alguma cantora de rock que usa vestido de cetim longo para se apresentar? Ou um vocalista de banda de metal que cuida da pele com cremes caríssimos e tem uma verdadeira ojeriza por tatuagens? Difícil, quase impossível.
Um artista não se transforma em artista simplesmente por causa dos dotes vocais. Manter um estilo é fundamental. Essa forma de diferenciação em muitos casos acontece através da busca incessante pelo choque, especialmente quando o assunto é rock.
A sociedade quer cabelos alisados e limpinhos? Pois o roqueiro de raiz vai passar longe dos cremes para pentear. A moda é a mocinha usar sandálias delicadas? Pois a roqueira corre em busca de botinas – e quanto mais masculinizadas melhor!
A indústria do entretenimento tem histórias bizarras desde que veio ao mundo, pois artistas de uma maneira geral sentem necessidade de se diferenciarem em relação aos demais mortais. Essa ânsia por ser diferente, contudo, há muitas décadas acaba aproximando o artista do consumo de drogas.
Apesar de todos saberem que as drogas, além de ilegais, são maléficas para qualquer organismo, muitos grupos musicais relacionam o consumo de droga à criatividade para escrever letras e criar melodias. Isso acontece especialmente quando a banda é jovem e tem pouco ou nenhum amadurecimento para gerenciar a fama e não gosta ou não quer ter as obrigações que o sucesso acarreta.
As drogas e a música muitas vezes andam tão juntas que vários videoclipes tematizam as drogas – nem sempre de forma negativa.
Além de ser uma questão policial (a não ser que falemos da Holanda), o consumo de drogas por grupos musicais traz um sério problema para a própria banda: na maior parte dos casos, o consumo leva ao vício, e isso invariavelmente prejudica o relacionamento dos integrantes, a criação artística e, claro, os rumos da banda em si.
Para esses casos, normalmente há apenas duas saídas: ou a banda se desintoxica e muda o estilo de vida, o que aconteceu com vários grupos que conseguiram se reerguer, ou a carreira vai por água abaixo – muitas vezes em decorrência da morte nada glamorosa ocasionada por overdose.
Acompanhe com a gente a trajetória de muitos grupos e artistas que escolheram um desses rumos, além de perceber como a questão é debatida nos videoclipes.

R.I.P. - Talentos levados pelas drogas

A overdose não escolhe sexo, classe social ou estilo musical. Elis Regina, detentora de uma das vozes mais potentes e emotivas da música nacional morreu em 1982, de overdose. A cantora chegou a tentar se desintoxicar, mas não conseguiu.
Até hoje considerada umas das maiores e melhores cantoras da música nacional, eclética, descobridora de novos talentos sem deixar de interpretar autores clássico do nosso cancioneiro, deixou páginas antológicas para a MPB.
Nunca foi segredo para ninguém que ela tinha por hábito consumir substâncias ilícitas. Infelizmente, ela morreu de overdose ao voltar de uma fase pacata de sua vida, num sítio no interior. No fim, quando precisou retomar a carreira, não agüentou a pressão e foi entrando em depressão, até ter uma overdose de cocaína, tranqüilizantes e álcool que a levou à morte.
Elis não chegou a gravar clipes, e sua última apresentação na televisão foi feita com música Me Deixas Louca:

Janis Joplin, um dos maiores ícones de todos os tempos, foi-se em 1970 por overdose de heroína... Temos que destacar a sua vinda ao Rio de Janeiro no ano de sua morte: o motivo para vir ao Brasil seria tentar se livrar do vício da heroína, mas ela aproveitou para fazer topless na praia, cantar em bordéis, quase foi presa por suas atitudes "fora do normal" na praia, foi expulsa do hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e ainda desfilou numa escola de samba e nem precisou de fantasia, pois seu visual com um chapéu de penas de pavão e colares “hippongas” já a fez muito chique. Apresentação dela no Monterey Pop festival em 1967, Ball and Chain.

E quem nunca ouviu falar de Raul seixas? Raulzito morreu em 1989 por conseqüências do álcool. Uma de suas últimas apresentações foi com a música Cowboy Fora da Lei, em 1989. O videoclipe explicita uma das mais fortes características do cantor: o humor leve mas sarcástico.

Elvis Presley, que dispensa apresentações, morreu em 1977, ao que parece, por complicações do abuso do álcool ao longo dos anos. Como Janis Joplin, ele não chegou a ter clipe, mas vale a pena lembrar de seu último show, feito no ano de sua morte, em que cantou My Way, de Frank Sinatra.

Jimi Hendrix, um dos grandes símbolos do rock, morreu em 1970. Ele tomou nove pílulas de Vesperax (analgésico) e se asfixiou no próprio vômito. Como também não tem videoclipe, vamos vê-lo em sua última turnê cantando I Don't Live Today.

John Bonham morreu em 1980, depois de 40 doses de vodka... seguidas. Também dizem que foi asfixiado no próprio vômito. Um de seus últimos shows, 1979, quando fazia parte do Led Zeppelin (a banda acabou após sua morte). Música: Hot Dog

Jim Morrison morreu em 1971, até onde se sabe, por circunstâncias misteriosas, mas há afirmações de que foi overdose de heroína. Atenção para o videoclipe de Light My Fire que, apesar de feito com cenas do show ao vivo, é um videoclipe oficial.

Brad Nowell, da banda Sublime, morreu em 1996 por overdose de heroína. Este é o clipe do último álbum do grupo, Santeria, em que Brad aparece como um fantasma que só uma cadela consegue ver. A cachorrinha, na verdade, pertencia ao cantor e essa foi uma forma que a banda encontrou para homenageá-lo.

Rick James morreu em 2004 por um coquetel de pelo menos nove drogas diferentes. Este é um de seus clipes mais famosos, Super Freak de 1981.

Keith Moon, baterista do The Who, morreu em 1978, após tomar 32 pílulas do seu remédio anti-alcoolismo quando gravava o álbum Who Are You. A banda tentou não acabar após sua morte, mas não deu certo com outro baterista.

A lenda

Keith Richards é e sempre será uma lenda, não só do rock, mas da música... Aliás, não só da música, mas do mundo todo!
São 40 anos de heroína, cocaína, outras inas, fora o fumo e o álcool. Tem gente que por muito menos tem um enfizema pulmonar. Ele até foi preso algumas vezes por causa das drogas, mas nunca foi internado, pelo menos que a mídia saiba.
E eis aqui um vídeo “trilegal”: Keith Richards, Eric Clapton, John Lennon e Mitch Mitchel juntos em Yer Blues, canção dos Beatles.

Haja cocaína...

CLIPES DROGADOS

Alguns videoclipes mostram personagens “viajando”, muito “chapados”, como se diz, sabe-se lá de quê. É o caso de Like A Rolling Stone, composição de Bob Dylan. No clipe, a protagonista parece estar numa bad trip...

E nesse do Chemical Brothers, Hey boy, hey girl, a moça aparece tão desorientada que começa a ver as pessoas ao redor como se fossem esqueletos. Alucinações e música eletrônica muitas vezes andam juntos.

OS QUE FAZEM O ESTILO “NÃO TÔ NEM AÍ”

Outros se voltam para a questão "uso drogas sim, e daí?", como foi o caso de Whitney Houston. Whatchulookinat, single lançado logo após confessar à imprensa que era usuária de cocaína e maconha, como uma resposta a todos que a julgaram. Mas o que conta é que foi um fracasso de vendas.

Os meninos do Planet Hemp causaram muita polemica por causa da apologia que faziam constantemente ao consumo de drogas, especialmente maconha. No clipe Legalize Já! eles não só afirmam que usam drogas sim, mas que usam muito, e não vão parar de usar só porque é ilegal. Eles se colocam a favor da legalização das drogas e afirmam que proibir aumenta o tráfico e a violência.


Ainda temos a estrela da vez, Amy Winehouse, que em Rehab mostra um centro de reabilitação. A expressão “Rehab” é abreviação ou uma gíria para rehabilitation. E devido ao seu histórico, não é necessário mais nenhum comentário.

Ainda nessa categoria temos o Afroman, com Because I Got High, que mostra tudo que aconteceu de ruim em sua vida porque ele estava “chapado”. O clipe se vale de um certo humor negro, porque apesar de encarar a verdade, que a droga estragou sua vida, ele insiste no erro.

Outro muito engraçado é o Learn to Fly, do Foo Fighters. Onde os caras da manutenção escondem a maconha dentro da cafeteira do avião e fica todo mundo louco. Inlcuindo o piloto.

 

 

QUANDO O ASSUNTO DO CLIPE SÃO AS DROGAS

Ainda temos os clipes em que o assunto principal é a droga em si. Um grupo nacional mais alternativo que ainda não tem clipe, o Montage, tem uma música que fala sobre as drogas legais, todo tipo de pílula que se compra em farmácia, e causam tanta dependência quanto cocaína. Ode to my pills já é um hit da banda.
Apresentação do Montage, música "Ode to my pills".

Impossível esquecer do Nirvana, com o título Lithium, a música descreve os efeitos da droga, em cada momento.

E outro óbvio é Eric Clapton - Cocaine, que não tem nenhum videoclipe, apenas vídeos de suas apresentações ao vivo e acústica... Contrariando o legalmente correto, essa música é um “hino” de adoração ao pó.

RECUPERADA E “CAINDO NA REAL”

Stevie Nicks afirma ter parado com as drogas e, atualmente, continua produzindo em carreira solo.
"Eu sou uma mulher muito diferente daquela afundada em rock n' roll e drogas e tudo mais. Nunca mais quero isso pra mim, nunca. Porque eu também sei realmente o quão rápido isso pode ir embora, e que você pode ser o queridinho num ano, e ninguém no outro ano. Então você tem que aprender a aceitar e jogar com isso." (1998)
Um de seus videoclipes mais famosos é o Seven Wonders, ainda com a banda Fleetwood Mac.

E se prestarmos atenção em suas pupilas dilatadas podemos ver que ainda era da fase em que consumia cocaína. Já aqui em carreira solo, cantando ao vivo Landslide, percebemos a diferença na sua expressão, agora sim, mais “clean”.

DESINTOXICADOS NO BRASIL

O Brasil conta com vários artistas que passaram pela Rehab e se deram muito bem.
Um bom exemplo de reabilitação é a banda Titãs. Eles surgiram em meio à Ditadura Militar, quando as drogas serviam como forma de protesto. Infelizmente, às vezes ainda se vê esse tipo de visão por aí...
Depois de um tempo, aqueles garotos que cresceram vendo Caetano e sua turma da Tropicália, resolveram se desintoxicar. Um dos marcos de uma nova fase na carreira do Titãs foi o Acústico MTV, de 1995, com o qual a banda conseguiu um novo gás, voltando às paradas e ao imaginário do público.
Outro bom exemplo de Rehab tupiniquim é Rafael Ilha, que começou a carreira no grupo Polegar, o genérico do Dominó. Após o fim do grupo e sua ida para o esquecimento, ele se enveredou pelo mundo das drogas. Isso lhe rendeu fama novamente, embora dessa vez tenha sido bem negativa. Ele vivia com o rosto estampada em jornais e revistas... Mas nas páginas policiais, claro! Foi preso diversas vezes por furtos e roubos que cometia para comprar drogas.
Mas tudo mudou... Ele “encontrou Jesus”, foi para uma clínica de reabilitação e se salvou! Hoje é proprietário de uma clínica para jovens dependentes químicos e segue cantando música gospel. Às vezes ainda se mete em confusão, como aconteceu recentemente ao tentar levar uma moça à força para sua clínica e, assim, foi parar novamente na delegacia acusado de tentativa de seqüestro.
Infelizmente, nem todo mundo que entrou pra reabilitação teve sucesso, como foi o caso de Cássia Eller.
Nunca foi segredo para ninguém que Cássia se drogava. Até um dia em que ela caiu em si e resolveu largar os vícios em nome de uma vida melhor e também de seu filho adotivo Francisco (o Chicão da música “Primeiro De Julho”).
Acontece que Cássia era uma pessoa tímida e que gostava de levar uma vida mais calma. Seu ritmo de trabalhos e shows era relativamente tranqüilo. Até que veio a gravação do Acústico MTV, que deu uma guinada em seu trabalho e ela precisou fazer muito mais shows do que estava acostumada e começou a ficar com níveis de estresse e cansaço muito altos. Até que um dia ela se sentiu mal e foi parar no hospital. Foi onde ela veio a falecer em 29 de dezembro de 2001 de parada cardiorrespiratória. Assim que a notícia do falecimento saiu, houve rumores de que ela havia voltado às drogas e que sua morte era conseqüência de uma overdose.
Seu último clipe foi No Recreio

Uma figura nacional que não pode ser esquecida quando se fala em reabilitação é Rita Lee. Ela fez parte do movimento tropicalista na década de 60, quando os jovens adeptos da psicodelia usavam drogam para alcançar estados alterados da mente. Depois de ter diversos problemas em decorrência dos longos anos usando drogas, passando meses internada em hospitais, tendo que cancelar shows, eis que no final de 2005 nasceu sua neta. A neta viria a ser uma das principais motivações para que Rita largasse as drogas alegando que não queria que sua neta a visse mal de saúde ou que tivesse uma imagem ruim da avó por conta dessas substâncias.




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