Ficha técnica

 

Música: No Handlebars

Banda: Flobots

Diretor: Dirty UK

Produtor: Phil Tidy

Ano: 2008

 



Resumo: Uma lembrança de que clipes podem conciliar causas nobres, boa música e estética atraente.

José Maria Pugas Filho (ze@clipestesia.com.br)

Review

Quando recebemos na playlist de nosso antigo canal o clipe No Handlebars da banda do Colorado Flobots, cometemos um tremendo erro em não reparar em como ele era diferente dos demais. O erro só foi corrigido quando em menos de uma semana online, ele se tornou disparado o campeão de audiência, ultrapassando com folga os esperados líderes Madonna, Rihanna ou Michael Jackson.
A audiência canalizada para este vídeo chamou nossa atenção a tempo de nossa injustiça ser corrigida. Foram tantas as surpresas que decidimos convidar nosso leitor a também se surpreender.
Primeiramente, aposto que todos vocês estão com o refrão desta canção em suas cabeças. Se estão, lamento informar que ele irá acompanhá-los por todos os locais por algum tempo. Com ou sem bicicleta.
A banda – que segundo o site oficial é de Hip Hop, mas sua fluidez rítmica quase teatral aponta para um estilo musical único – recorre à animação para construir seu primeiro clipe. Apesar de clássicos vitoriosos, como Money for Nothing, Drive e Breaking the Habit, respectivamente do Dire Straits, Incubus e Linking Park, se valerem da mesma estética, a animação também contribuiu para vexames da indústria fonográfica. Para uma banda iniciante, optar por esta estética pode ser a glória ou o fracasso.

Decisão difícil para Flobots, mas igualmente recompensadora.

O clipe em animação simples, mas bem executada, passa o ar de ingênua criatividade, encontrada nos melhores exemplares da animação, seja em videoclipe, seja em qualquer outra linguagem. As cenas evoluem para contar a história daqueles dois amigos que pegaram diferentes ruas no início da adolescência e encontraram finais opostos. Divididos por forças repressoras que mantém o antagonismo de seus papéis sociais, a tragédia é o pano de fundo final da história. A narrativa coesa, aliada à arte precisa, ajuda a contar a história da condição humana pós-moderna nos esparsos minutos da música criando, assim, um mini-épico.
A sincronia entre arte, história e música apresenta ao seu espectador além das qualidades técnicas dos meninos de Colorado e dos diretores Dirty UK e Phil Ditty , a possibilidade de que clipes podem conciliar causas nobres, boa música e estética atraente. E o melhor, sem culpar seus criadores de plágio.
Aquele que observar com atenção os poucos mais de três minutos de música conseguirá traduzir a complexidade temática que tanto sucesso deu ao clipe Do The Evolution, do Pearl Jam, ambos desdenhosamente contrários ao American Way of Life.
O propósito deste clipe, ao que tudo indica, é representativo da jovem banda – com apenas três anos, e das músicas que virão por aí. Recomendamos a todos a visita ao site oficial da banda e da sua ação social. A crença de que a fama, a riqueza e o talento devem ser revertidos para causas dos mais necessitados, compartilhada com Bono Vox e outros cada vez mais numerosos é um capítulo à parte em nossa conversa e que, em breve, renderá aos Flobots uma nova visita às nossas páginas.




clipestesia