Boyband e adolescência, tudo a ver! Traçamos a fórmula que faz grupos de garotos e garotas fazerem tanto sucesso. E, pasme, o segredo é muito mais complexo do que parece

Patrícia Angélica (paty@clipestesia.com.br)

Desde que a “indústria cultural” existe, ela busca, testa e usa fórmulas para as desejadas vendas. Uma dessas fórmulas que é sucesso certo, principalmente com os adolescentes, é a das chamadas boy e girl bands. De maneira geral, a fórmula segue a seguinte estrutura:

ROSTINHOS BONITOS+VOZES DOCES = SUCESSO DE VENDAS
COREOGRAFIAS BACANAS                        

Para fazer parte dessa conta, não basta ser bonitinho(a). É preciso ter um tipo físico diferente dos demais integrantes: um é loirinho(a), o outro é moreno, um tipão latino, um afro descendente e às vezes um oriental.
Além disso, cada um precisa ter um jeito de ser. Há um mais “palhaço” e engraçado, um mais maluco (que usa cabelos e roupas incomuns), um tímido, e assim por diante. As roupas que usam geralmente são sempre condizentes com o que se vê nos adolescentes que vão “consumir” as canções dessas bandas, ou aquilo que se quer que eles usem.
As músicas, que usam batidas e instrumentos eletrônicos na maioria das vezes, também têm em geral os mesmos temas. É o amor, quase sempre platônico, as confusões (e confissões) da adolescência e, às vezes, a curtição com os amigos.
O clipe, logicamente, também segue uma fórmula básica: há sempre uma parte para a coreografia, e no caso das bandas dos garotos há uma ou mais meninas por quem eles são apaixonados e para quem cantam a música. No caso das girl bands, as integrantes do grupo costumam aparecer como modelos de beleza e comportamento a ser seguido, afinal, tudo é feito para terem uma legião de fãs e garotos loucos por elas.

A fórmula não se esgota. Adapta-se

As décadas passam e as boy bands são sempre um sucesso, apesar de serem “comerciais, sem qualidade e virtuosismo” etc. etc.  A fórmula nunca se esgota e raramente muda, ela vai se adaptando às demandas do seu público. Nos anos 80, boy bands como New Kids On The Block eram mais rebeldes (tudo bem que hoje em dia eles parecem bem comportadinhos, mas para a época, eram bem extravagantes).
 Nos anos 90, apesar do bom comportamento dos rapazes e garotas, havia um apelo muito grande para a sensualidade.
 Nos anos 2000, as boy band passaram a ter um estilo mais rock. É o caso das boy band emo (como NX Zero, Fresno etc.) e de outras mais pop, mas com cara de roqueiros como o NLT. No caso das girl band, a sonoridade hip hop é mais patente.

Nada é igual!

Para quem não gosta ou nunca gostou (será que existe alguém que possa dizer que nunca dançou, cantou ou curtiu algum momento ao som de uma música do teen pop?), é tudo exatamente igual. Mas não! Os tempos mudam, a conjuntura econômica, política e social é diferente e o comportamento dos jovens se relaciona com o mundo que os cerca. A forma como eles querem se ver na mídia também acaba sendo outra. As bandas adolescentes são o reflexo de toda essa relação que permeia o mundo dos teenagers. Elas devem ser aquilo que a população jovem sonha ser.
 As meninas sonham em namorar o seu integrante favorito da boy band e olham as garotas das bandas como aquilo que elas querem ser quando crescerem. Os meninos olham os boy banders como os “pegadores” desejados por todas e as meninas dos grupos são para eles como as deusas com quem sonham.
Saber sobre a vida do seu ídolo é como saber a vida dos seus melhores amigos. Saber com quem ele namora, onde ele vai e com quem é como saber as últimas fofocas da escola. Tudo o que está na vida do adolescente é refletido na sua relação com os ídolos também adolescentes.

Boy bands passam, adolescência também

Os fenômenos pop para adolescentes são passageiros, da mesma forma é a adolescência Não porque os integrantes dos tais grupos sofram de falta de talento, criatividade ou façam música ruim e sem virtuosismo – até porque em essência, virtuosismo e inventividade não são premissas para esse tipo de música.
Artistas com prazo de validade, mas que geram enormes receitas para as gravadoras. Uma fórmula que é usada de tempos em tempos, para não dizer o tempo inteiro, afinal pipocam por aí exemplos de grupos de adolescentes cantores/dançarinos.
Não podemos rechaçar esse tipo de manifestação artística, porque ela é importantíssima para a identificação do adolescente como participante ativo do mundo em que vive, como consumidor, como pessoa que possui seus porta-vozes na mídia.




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